Depois da II Guerra Mundial, a reflexão sobre o desenvolvimento conquistou espaço e teve como principal expoente a tomada de consciência do atraso económico em que se encontrava a grande maioria dos países, suscitando, inclusive, o aparecimento de organismos como o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os indicadores de pobreza evidenciavam, naquela altura, o fosso brutal entre as nações, sendo que a mortalidade infantil, a incidência de enfermidades contagiosas, a taxa de alfabetização e o acesso à renda serviram de catalisadores para amalgamar as ideias de desenvolvimento, bem-estar social, modernização, enfim, tudo que inspirasse o ingresso ao novo estilo de vida proporcionado pela revolução industrial.
Hoje, o dilema da pobreza, resultado do baixo nível de renda per capita, e em consequência, o seu padrão ínfimo de vida por efeito da escassa produtividade das economias presas a métodos primitivos de produção e trabalho, continua a agudizar o sofrimento dos povos.Embora algumas vezes seja complexo sabermos o que significa pobreza, dada à sua ambiguidade de significar “coisas diferentes para diferentes pessoas”, a relevância do conceito depende, essencialmente, do nível de vida e da forma como numa dada sociedade as diversas necessidades são satisfeitas, dando a possibilidade, desse modo, de dicotomias entre pobreza absoluta, moderada e subjectiva.
Tratando-se assim, de uma tríade, que busca clarificar a ideia da pobreza, permitindo propor os instrumentos adequados para “in loco” mitigar e ou/erradicar, tendo em conta as especificidades contextuais.
Para o BM, pobreza é a inexistência de rendimento ou “a incapacidade de atingir um nível mínimo de vida”. Há uma percentagem da população a viver com USD 1,25/dia, por região, entre 1981 e 2010. A África Subsariana expõe um quadro de pobreza grave (48,5%, cerca de 386 milhões de pessoas). O BM reconhece a existência de uma parcela maioritária da população global que é excluída do acesso às riquezas produzidas nas suas próprias nações. A proporção da população dos países em desenvolvimento que vivem no limiar da pobreza extrema, embora tenha reduzido, o número de pessoas, nos países em desenvolvimento, vem aumentando em taxas elevadas. O mundo previsto em “A terceira onda” e a “Aldeia global” por Toffler e Marshall, respectivamente, onde todos falam a mesma língua, usam as mesmas roupas e ouvem as mesmas músicas. É contestado por Rifkin em “O Fim dos empregos: o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho”, aonde se prevê um futuro não tão brilhante pelo facto do mundo caminhar para um precipício em que o desemprego cíclico (causado pela recessão económica) e estrutural (a automatização da produção), se tornam o calcanhar de aquiles dos governos, situação essa que agravará ainda mais a pobreza, além, é claro, da exígua abertura política que se verifica em muitos países em desenvolvimento. Contudo, existem alguns instrumentos elegíveis para a erradicação da pobreza, distanciados dos princípios economicistas redutores: Amartya Sen, prémio Nobel de Economia, em 1998, entende que o desenvolvimento requer que se removam as principais fontes de privação de liberdade: pobreza e tirania, carência de oportunidades económicas e destituição social sistemática, negligência dos serviços públicos e intolerância ou inferência excessiva de Estados repressivos.
Considera, desta feita, cinco elementos fulcrais para o desenvolvimento: liberdades políticas, facilidades económicas, oportunidades sociais, garantias de transparência e segurança protectora. Já C. K. Prahalad, ex-professor na Universidade de Michigan (EUA), os empresários deixem de “pensar nos pobres como vítimas ou como um fardo” e passem a vê-los “como empreendedores incansáveis e criativos e consumidores conscientes de valor”, pois a inserção dos pobres na economia traria mais-valia social e a dinâmica da economia local ganharia em termos de consumo.
Manuel José Alves da Rocha, professor e coordenador do CEIC da Universidade Católica de Angola, entende existirem três pressupostos essenciais que confluem para a erradicação da pobreza: o emprego, o capital humano e as infra-estruturas sociais. Para ele “a pobreza é um flagelo nacional e aparece associada ao desemprego, à exclusão social, ao insucesso escolar e à destruição da célula familiar”.