s crises financeiras têm estado no centro da atenção dos economistas desde os tempos de Adam Smith. Considerando as causas, a extensão, a dimensão e as medidas de controlo; e dependendo da crença de cada governo nos instrumentos de políticas económicas, podese estimular as variáveis da economia, com a intenção de influenciar, positivamente, o crescimento do produto. As flutuações das actividades económicas, a médio e longo prazo, são acontecimentos que podem ter várias razões. Um exemplo clássico de depressão foi a crise do final da década de 1920 e 1930, que atingiu países industrializados em todo o mundo. A Grande Depressão centrou-se nos Estados Unidos da América (EUA), cujo PIB declinou quase 33% entre 1929 e 1933. Seguiu-se um período menos severo de depressão em 1937-1938, com o PIB a declinar em torno de 18%. Por outro lado, a crise económica e financeira provocada pelosubprime, que surgiu em 2008, tem sido comparada à Grande Depressão. Embora seja geralmente aceite que a crise de2008 foi a mais severa desde a Grande Depressão, não tendo atingido, ainda assim, o nível da década de 1920 e 1930.
Após a Grande Depressão de 1929, começou-se a analisar, de forma minuciosa, os elementos cruciais para saída das crises económicas. Em 1933, Roosevelt foi eleito presidente dos EUA e engendrounovos procedimentos para tirar a economia americana da crise, equacionou o famosoNew Deal. O Estado passou a controlar afincadamente o mercado, a disciplinar a classe empresarial, a alterar os investimentos arriscados e a fiscalizar as especulações nas bolsas de valores. A crise prolongou-se por mais alguns anos, tendo terminado, efectivamente, com o início da II Guerra Mundial que, na verdade, serviu de uma óptima alavanca para a produção indústrial. Isto proporcionou empregos e estabilizou a escalada da inflação. ONew Deal conseguiu frear a crise.
Os ciclos económicos são, geralmente, identificados por pontos de viragens, ou seja, mudanças na direcção da actividade económica; quando termina um período de expansão, começa uma recessão e quando termina uma recessão, começa uma expansão. Alguns ciclos são de curta duração, talvez dois ou três anos. Outros são de duração mais longa e podem subsistir dez a doze anos. Por exemplo, entre 1945 e 2001, houve dez ciclos económicos registados para a economia dos EUA, com uma duração média de 67 meses. O ciclo mais curto durante este período durou apenas 18 meses durante o início dos anos 80, enquanto o ciclo mais longo foi de 128 meses entre 1991 e 2001.
A crise económica e financeira em Angola, certamente, não possui a mesma magnitude da crise de 1929, pelo simples facto de não suscitar as mesmas repercussões, dos seus impactos não terem a dimensão mundial e, principalmente, pela economia períferica que a caracteriza. A problemática da crise em Angola deriva do estrangulamento provocado pela dependência da balança comercial na exportação do petróleo e da desaceleração do seu preço. Somam-se, ainda, os modelos económicos idealizados e os factores endógenos do tecido económico nacional, ou seja a crise obedece a critérios estruturais e não cambiais.
Visando a partilha dos riscos, o Estado pode atrair investidores e beneficiar-se quer a nível de qualidade como de eficiência, das capacidades de gestão e técnicas do sector privado. Assim, consideramos alguns aspectos para o novo rumo:
• apostar num ensino técnico e ou/ superior de qualidade, auscultando educadores de países como a Finlândia, Japão e a Suécia;
• concepçãode uma política de industrialização que permita produzir, internamente, parte dos bens importados;
• evitar os duopólios e monopólios, visando a entrada de novos players;
• criar uma Política Nacional de sementes com foco na “revolução verde”, explorando os laços com países com forte tradição agrícola, visando a exportação de produtos com padrões Europeus;
• incentivar os empresários da região sul, na atracção de investidores de países como Holanda e França com experiências no sector de laticínios, dada as vantagens comparativas da região;
• estreitar parcerias com as Agências de Cooperação Internacional, tal como a do Japão (Agência de Cooperação Internacional do Japão – JICA) em estudos experimentais, de tecnologias para a agricultura (fertilizantes) e pesca (ração);
• gizar um plano eficiente para a redução da economia informal;
• reduzir os excessos de consultorias externas nas empresas públicas;
• incentivos à autonomia da classe empresarial;
• repensar os factores atractivos do turismo Nacional;
• gizar um Plano Nacional para travar a economia subterrânea e evitar, distorções e fugas ao fisco;
• viabilizar a produção dos serviços público dentro de infra-estruturas próprias;
• Parceirias públicos privadas (PPP´s) na criação e gestão das infra-estruturas rodoviárias com a introdução de portagens;
• Limitar em 10 anos os cargos de direcção na função pública; e a
• Adopção de um regime tributário baseado na riqueza total de cada indivíduo.