Proposições impossíveis como viajar mais rápido que a velocidade da luz;

criar ou destruir energia- matéria; construir máquinas de movimento perpétuo, constituem a base da ciência. Respeitando o teorema da impossibilidade, por vezes, evita-se gastar recursos em projectos, condenados precocemente. Por isso, economistas e decisores deveriam interessar-se pela discussão dessas ‘impossibilidades’, especialmente, quando relativas a questões actuais como, “acabar com a pobreza e a degradação ambiental, via crescimento económico global sustentável”.

Na sua forma pura, esse crescimento é impossível porque na sua dimensão física, a economia é um subsistema aberto do ecossistema terrestre, que é finito, não-crescente e materialmente fechado. À medida que o subsistema económico cresce, incorpora em si uma proporção cada vez maior do ecossistema total e deve alcançar um limite, ao atingir os 100 por cento, se não antes. O termo crescimento sustentável, quando aplicado à economia, constitui um oxímoro, contraditório como prosa, não evocativo como poesia. Alguns dirão que o crescimento do PIB é uma mistura de aumento quantitativo e qualitativo. Portanto, não estritamente sujeitos às leis físicas. Com razão.

Mudanças quantitativas e qualitativas são muito diferentes. Por isso, é melhor mantê-las separadas e chamá- las pelos nomes diferentes, já fornecidos no dicionário.

Crescer significa “aumentar naturalmente em tamanho, pela adição de material, através de assimilação ou acréscimo”. Desenvolver-se significa “expandir ou realizar os potenciais de trazer gradualmente a um estado mais completo, maior, ou melhor”. Logo, quando algo cresce, fica maior. Quando algo se desenvolve, torna-se diferente. O ecossistema terrestre desenvolve-se (evolui), mas não cresce. No seu subsistema, a economia deve finalmente parar de crescer, mas pode continuar a desenvolver-se. Portanto, o termo desenvolvimento sustentável faz sentido para a economia, mas apenas se for entendido como desenvolvimento sem crescimento – melhoria qualitativa de uma base económicafísica, mantida num estado estacionário pelo transumo de energia-matéria que está dentro das capacidades regenerativas e assimilativas do ecossistema.

Usa-se o termo desenvolvimento sustentável como um sinónimo para o oxímoro. Por isso, ele precisa de ser salvo da perdição. Politicamente, é muito difícil admitir que o crescimento, com as suas conotações quase ‘religiosas’ de fim último e único, deva ser limitado. Mas, é a insustentabilidade do crescimento quem dá urgência ao conceito do desenvolvimento sustentável. A terra não poderá tolerar, nem mesmo a duplicação de um grão de trigo 64 vezes, apesar do culto à dependência do crescimento exponencial, alegando segurança.

Desenvolvimento sustentável é, portanto, uma adaptação cultural da sociedade, consciente de que há limite para a população de árvores, como para a população humana, ou de bens e já nem o “crescimento verde” é hoje sustentável. A ilusão na crença de que, o crescimento é possível e desejável, apenas porque rotulado de “sustentável” ou colorido de “verde”, retarda uma transição inevitável e torna mais doloroso o futuro. A economia não pode crescer para sempre. Apenas o fará para recordar-nos o padrão limitado do uso dos recursos.

Por via da CNUMAD, as Nações Unidas apelam para a expansão da economia mundial por factores a variar de 5 a 10. Porém, mesmo uma expansão por um factor de 4 é impossível, se o ecologista americano Peter

Vitousek e outros (1986), estiverem certos quando afirmam que, “a economia humana obtém actualmente, ¼ do Produto Primário Líquido Global PPLG), da fotossíntese”. Explorá- la a 100 por cento aumentaria

esse produto. Mas, é impensável ter sob gestão humana directa, todas as

espécies que compõem os ecossistemas de que dependemos. O crescimento

económico global actual reduz a fotossíntese,. Uma vez que, os ecossistemas terrestres são relevantes e antecipa-se cerca de 40 por cento do PPLG, até mesmo um factor de expansão igual a 4, seria excessivo.

Ridículo, é encorajar-se a preservação da biodiversidade, sem disposição para determos o crescimento económico, a exigir controle humano sobre todos os lugares ocupados por outras espécies.