China é um território que possui uma civilização milenar com mais de quatro mil anos de uma rica história. A abertura económica deste gigante asiático se deu a partir do ano de 1976, após a morte de Mao Tse-Tung e a conquista do poder político por Deng Xiaoping que operou grandes mudanças, lançando em 1978 um conjunto de reformas económicas, que mudou por completo o funcionamento da estrutura económica do país, passando de um sistema de planeamento centralizado e, em grande medida, fechada ao comércio internacional, para uma economia mais orientada ao mercado, com um sector privado em acelerado crescimento. Em primeira instância, as reformas centraram- se no sector agrícola, pois os preços da produção agrícola aumentaram, as restrições
à produção e os impostos diminuíram e o mais importante, a responsabilidade sobre a produção, a propriedade dos meios de produção e as decisões sobre as mesmas foram transferidas às comunas e governos locais para os próprios agricultores, ou seja, para os próprios produtores. Essa mudança de política e de ideologia levou ao aumento da renda familiar, contribuindo grandemente
para elevação dos investimentos, a poupança e a demanda.
O conjunto de reformas lançadas por Deng Xiaoping incluía a 1- abertura de zonas económicas especiais (ZEE) na faixa do litoral leste, aproveitando a presença de um dos subsolos mais ricos do mundo em matéria – prima; 2- o aumento do investimento estrangeiro;
3-liberalização do comércio; 4-livre mercado agrícola, tornando-se mais flexível o controlo sobre a importação e a exportação
de produtos. Mas, a componente mais importante era a aplicação de políticas tributárias típicas da economia “supply-side”, as reduções nos impostos incentivaram sobremaneira a privatização da economia, transferindo um quinto de todos os recursos das mãos do Governo para os empreendimentos emergentes nas cidades e aldeias e para as empresas privadas resultando num rápido crescimento deste sector mais do que a média anual nacional na ordem dos 10 por cento. Fruto das baixas taxas de impostos praticadas pelo Governo chinês os lucros destas eram reinvestidos na expansão das empresas, pois este método exerceu um efeito de bola-de-neve, acelerando o crescimento do sector privado.
De 1980 a 1984, se deu a criação de um total de catorze zonas económicas especiais, muitas delas localizadas no litoral, que muitos
economistas analisam como um passo em frente, as ZEE partiram de pressupostos capitalistas geopolíticas pós-guerra fria, cujo objectivo era aumentar a produção agrícola e criar uma classe de agricultores ou uma espécie de burguesia agrária consumidora e produtora e, nos dias de hoje, são considerados verdadeiros “shopping-centers”. Esta medida resultou no aumento da concorrência com as antigas e obsoletas empresas estatais chinesas, transformando estas em grandes centros produtores regionais
de industrialização para reexportação ou exportação de produtos anteriormente importados, sendo que entre 1990 e 2000 as exportações cresceram, em geral, quase 300 por cento, as exportações da China para os Estados Unidos cresceram 880 por cento, e as exportações dos Estados Unidos para China, quase 230 por cento.
Ainda durante as décadas de 80 e 90, as autoridades chinesas continuaram a melhorar os processos de reformas económicas
usando “modelos” para experimentar novas políticas e reformas. Eles implementavam modelos em regiões e em empresas específicas para avaliar o desempenho de uma política antes da sua implementação em todo o país. Assim se conseguia prever a eficácia/eficiência destas reformas e aquelas que não davam certo causavam poucos prejuízos. Segundo Deng Xiaoping, essa forma de abordagem era como “cruzar o rio sentindo as pedras sob os pés”.