Muito recentemente o mundo testemunhou a contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain ao Barcelona pelo valor que rondam o montante de 222 milhões de Euros. Apenas este exemplo para mostrar a “loucura financeira” existente no mercado desportivo.
O futebol e outras modalidades envolvem muito dinheiro. Os menos aficionados às matérias desportivas muitas vezes questionam a “facilidade” como se enriquece neste segmento quando são, no caso do basquetebol e do futebol, “meia dúzia” de indivíduos a correr atrás de uma bola e no fim de tudo acabam por ter receitas gigantescas. Como consideram, um encaixe para nunca mais pensar em trabalhar. É só viver e gastar. Claro que não é muito bem assim. Algum exagero nosso. Entretanto, não tão longe da verdade.
Conhecemos “estórias” de jovens nos seus 18 ou 19 anos que, por via do futebol ou de uma outra modalidade de referência, que depois acabam por “perder a cabeça” porque o dinheiro os sobe à cabeça e daí derivar numa má gestão do seu pecúlio.
Há desportistas que, mal acompanhados, julgamos, terminam a sua carreira desportiva muito cedo porque acabam por privilegiar aspectos triviais à sua boa carreira desportiva. Não convém citar nomes para não ferir susceptibilidades. Perdem-se por optar por luxos desmedidos e até garotas à mistura, se for o caso. Por que não! Sejamos claros, o que é que o dinheiro não faz!
Por duas razões, lanço-me a este intróito. Primeiro, porque o Girabola está na sua fase final e os dois grandes, Petro de Luanda e 1º de Agosto, são os únicos com fortes probabilidades de chegarem ao título nacional. Este domingo as duas equipas se vão encontrar e no fim saber-se-á qual delas estará mais próxima do título. Acreditamos que o Estádio 11 de Novembro venha a ter casa cheia. Obviamente, uma oportunidade de facturação para o organizador do jogo.
Segundo, porque ouvi há dias um comentador desportivo a assumir que, face ao momento de crise que se vive sobretudo, nenhum jogador do nosso campeonato estaria em condições de ganhar o equivalente a 10 mil dólares. Se calhar tenha razão, pois embora se já se note algum bom ritmo futebolístico, mas parece que muito ainda se tem que se fazer em termos de qualidade.
Nota-se a dedicação mas alguns diriam que o insuficiente para testar já a valorização da competição interna. Será?! Os posicionamentos da crítica desportiva servem para responder à inquietação. Hoje, são poucos os desafios que têm uma boa bilheteira à semelhança dos jogos que envolvem as equipas consideradas de top do nosso Girabola(?).
Entretanto, não deixa de ser também uma opinião generalizada de que houve sim senhor evoluição ao longo dos anos de independência que país já tem. Este crescimento é também a nível de praticantes, condições de trabalho e de infra-estruturas desportivas. Temos estádios com níveis excelentes para a prática do futebol e pavilhões para acolher outras modalidades como o basquetebol e o andebol. O Multiusos do Kilamba e o estádio 11 de Novembro são exemplos deste crescimento. Um outro exemplo de crescimento tem sido a prestação da nossa selecção de Hóquei que ontem, apesar de ter perdido por 4-3 com a campeã do mundo a Argentina, mostrou qualidade e soube se impor diante, digamos, dos melhores do mundo na actualidade.
É importante evoluir para que, no grande desafio de diversificação dos rendimentos, o desporto dê o seu quinhão. É necessário que sintamos que tem entrado dinheiro para a nossa economia por via das realizações e dos sucessos desportivos.