As razões que levaram a que a nossa economia estivesse assim, como está, menos avançada e próspera, são a par de outros factores que ocorreram pouco depois do alcance da paz em 2002, adicionando ao facto de a ideologia política exageradamente paternalista que vigorava em Angola nos anos de 1975 a 1992.
A economia era bastante centralizada, na qual o Estado era como que o dono e o senhor de tudo!
Tendo a necessidade da mudança de paradigmas até porque a dinâmica socioeconómica assim o exigiu, e do outro lado, tendo, o então Governo, se apercebido dos males desta ideologia e das benesses da descentralização económica, em 1992, o país abdicou do modelo de economia centralizada.
Entretanto, algumas empresas públicas conheceram donos privados, bem como quem tivesse poder financeiro e quisesse empreender podia fazê-lo.
Contudo, com o passar do tempo, aquelas empresas que continuaram públicas “grosso modo” não eram rentáveis, e tantas outras, só prejuízos apresentavam ao Estado.
A verdade verdadeira é que a falta do rigor e transparência na gestão da coisa que a todos pertence e de prestação de contas e a impunidade eram de facto as divisas que concomitantemente manietavam o normal e próspero funcionamento de muitas empresas públicas. E, isso, de o Estado só investir, e nada ou quase nada lucrar tem tido repercussões nefastas à nossa economia nos dias de hoje.
Não é à toa que se pretende para breve avançar-se com a privatização de várias empresas públicas, sobretudo as falidas. Isso é sinal clarividente que o nosso Executivo admite que, por um lado, o estilo de economia descentralizada adoptado, que começou a vigorar desde 1992, não ganhou uma trajectória eficiente e por outro lado, que alguns gestores públicos, a quem o antigo Executivo debitou confiança para gerir as nossas empresas – que só representam prejuízos ao Estado -não cumpriram satisfatoriamente com as tarefas que lhes foram acometidas.
O cenário de centralização económica tornou o Estado no maior empregador – e como se não bastasse, sobretudo em 2015, foi formalmente reconhecida que existiam inúmeros trabalhadores fantasmas na função pública –e, por isso mesmo, possuidor de uma carga salarial exageradamente gorda, que naturalmente foi se tornando insustentável, uma vez que muitas empresas eoutros órgãos do Estado não produziam o suficiente de forma a prover algum equilíbrio aos custos variáveis e fixos.
Logo, enúmeras vezes, o Estado via-se obrigado a tapar os buracos financeiros. E, na contraparte, a fatia financeira que serviria para outros sectores os mais candentes e prioritários ficaram mais pequena.
Eu cresci, ouvindo dos mais-velhos e não só de que trabalhar na função pública é melhor do que no privado.
Passados vários anos, a retórica é quase a mesma! E, isso é mau! Pois, é preciso dizer que esta visão é fundamentalmente fruto da nossa história económica.
Todavia, mais empresas privadas e um mercado de trabalho diversificado, tendo o Estado, apenas como o árbitro e facilitador (…), fará gradualmente com que o pacato cidadão mude a sua forma de pensar e encare melhor as coisas.
Uma vez que o que ele quer é o emprego, o privado lhe poderá oferecer, não o Estado. Ele deve entender que é a sua competência profissional, que lhe vai ajudar a conquistar e a manter o seu posto de trabalho.
Desde logo, precisamos todos entender que trabalhar na função pública não nos remete a produzir menos do que no privado.
Sentimento este enraizado durante algum tempo na cabeça de muita gente e em particular na de muitos servidores públicos, e tendo directo e penosamente prejudicado o desempenho de muitas instituições públicas.
É chegada a era da “economia privada”, a era de tudo ser feito, sem “mãos a medir”, para que as populações tenham à mesa o “feito em Angola” para se alimentar, pelo que o país é instado a eliminar já, já a problemática que continua a fazer furor, nomeadamente, a do alto custo da produção nacional.