O desemprego, regra geral, torna mais difícil a vida das famílias. E, entre nós, se afigura como a principal razão do crescimento das actividades económicas informais, que para as famílias, vai actuando como alternativa e tábua de salvação, uma vez que elas precisam de atender permanentemente às suas necessidades de subsistência, inesgotáveis e próprias da vida.Além disso, a fraca capacidade de empregabilidade da nossa economia, caracterizada essencialmente pelo fraquíssimo poder de compra, vai obrigando com que as famílias refaçam e adiem recorrentemente os seus planos e ambições de vida. Logo, para os jovens fundamentalmente, a conclusão do curso universitário, a formação de uma família e o sonho da casa própria são postos de lado.
Por conseguinte, entre nós, não é novo falar-se da gritante escassez de emprego, e nem o é, a existência de programas e planos para a sua mitigação.
A verdade verdadeira é que hoje por hoje, a coisa continua assim como está! Para esta legislatura, nos foi prometido 500 mil empregos. Como nas outras, já houve tantas promessas não cumpridas, daí o cepticismo de muitas famílias. Estas que, agora, estão mais exigentes e interessadas em estar a par do que se passa com e no país.
A questão, não só pretende-se com fragilidades do mercado em absorver novos postos de trabalho, mas precisamente na pouca capacidade deste em manter os já existentes. Basta nos lembrar que, nos anos em análise, nomeadamente entre pouco depois do eclodir da crise económica até aos dias de hoje, vários subsectores da actividade económica registaram redução e dispensa de mão-de-obra, no qual o subsector petrolífero foi dos primeiros, os outros imediatamente se seguiram, como são os casos, só para citar, da construção civil, das indústrias de bebida e cervejeiras e as de prestação de serviço.
Como de resto, era de se esperar, os empregos indirectos não foram poupados. Resultado: muitos agregados familiares viram reduzidos a um, o número de membros empregados e tantos outros reduzidos a zero. Sim, isso mesmo!
Tudo isso, me dá a concluir que os programas e planos até agora traçados, seja pelo antigo executivo, seja pelo novo que visavam/visam a melhoria da empregabilidade pouco surtiram o efeito desejado.
Aqui, para o novo governo, a crítica deve ser suave, por duas razões, primeiro: A legislatura ainda não terminou; segundo: Encontrou uma casa desorganizada demais. Em contrapartida, a moralização da sociedade, elencada para este mandato, conjugada com as estratégias de combate a corrupção, ao nepotismo e a impunidade, é sinal de que, este governo quer fazer diferente. E, a partida, este guia-mestre elencado, constitui-se num incentivo, não só a melhoria do ambiente de negócio, que é benéfica para a empregabilidade, mas também, na gestão racional e producente do erário público, impactando positivamente na vida das famílias.
A meu ver, a razão de tanto desemprego reside em factos sistémicos e estruturais: No alto custo de produção, nas ainda poucas condições de atractividade das iniciativas empresariais (não obstante haver algum sinal de melhoria), na ainda pouca confiança dos investidores em relação ao nosso mercado, nas insuficiências das vias de comunicação interprovincial e, mesmo entre as áreas de cultivo e produção e aos centros de consumo do “feito em Angola”, enfim. Desde logo, tudo isso nos remete a prestarmos continuamente, mais foco nas estratégias, que visam ultrapassar estas pedras de tropeço.
Dito por outras palavras, as medidas administrativas de intervenção directa do Estado à economia, mediante somas de dinheiro, por mais boas intenções que tiverem, pouco funcionam.
O historial confirma isso mesmo.Daí o meu cepticismo quanto ao Plano de Acção para Promoção da Empregabilidade (PAPE).
Por outra, dou nota positiva, ao instrutivo nº 4/2019, que obriga os bancos a concederem créditos para a produção nacional de pelo menos 2 por cento do valor total dos seus activos, registados até 31 de Dezembro último, com taxas (custo de crédito) até um máximo de 7,5por cento.