Pela quarta vez os angolanos foram ao voto para escolher o seu presidente da república, o vice-presidente e os seus representantes na Assembleia Nacional. Os cinco partidos políticos e uma coligação apresentaram os seus programas de governação e, julgamos, com base nisto, no dia 23 de Agosto, de forma ordeira e cívica, os eleitores foram às urnas depositar “o voto da transição democrática”, como titula o Jornal de Angola.
Neste momento, as expectativas crescem relativamente aos resultados. Com certeza que todos os votantes querem que a sua escolha se concretize em poder de estado mas em termos realísticos só mesmo um dos seis concorrentes poderá vencer e mais dias, menos dias, teremos os resultados definitivos e saberemos quem será o presidente de todos os angolanos.
A referência “de todos os angolanos” é, digamos assim, propositada. Primeiro porque foi promessa dos seis concorrentes à substituição do Presidente José Eduardo dos Santos de que, ganhando, governariam para todos os angolanos. A ser verdade apenas ganha o país, ganha a democracia. Segundo, porque precisamos ter um líder com postura congregante e que seja verdadeiramente um excelente condutor de homens, visionário, preparado e que possa proporcionar as melhorias exigidas para os desideratos de uma quarta república.
A campanha eleitoral ficou marcada pelas promessas dos candidatos nas suas mensagens ao eleitorado. E tivemos boas e outras menos boas. Mas quem acompanhou soube interpretar e pode ter percebido se tivemos candidatos com elevada qualidade para nos governar numa altura em que se procura soluções ajustadas ao momento, ou seja, adequadas à saída da crise económica.
Por alguns discursos, que reuniram mais consensos e sabemos quais, tudo indica que a passagem de testemunho parece ser certa na perspectiva de se começar a atacar os problemas tidos como prioridades e importantes em tornar a vida de todos mais comprometida com o bem-estar económico e social. Um país cada vez melhor, parece ter sido esta a divisa que acompanhou os grandes momentos dos partidos políticos para atrair ao voto. Obviamente que esta é a vontade de todos: a tarefa de fazer renascer a certeza e a confiança na política e nos seus decisores.
As acções, sob o ponto de vista económico, realizadas no quadro do Plano Nacional de Desenvolvimento provaram a responsabilidade na implementação de um novo ciclo económico virado ao crescimento em todos os domínios. E sem dúvidas, o quadro de realizações é um facto mas há consciência de que muito ainda tem de se fazer. Logo, as expectativas são enormes e tudo indica que os caminhos a trilhar num futuro recente são de mais efectivações públicas e privadas a nível dos investimentos nos sectores da indústria, agricultura, educação, entre outros. Exemplo mais recente e constituiu matéria de capa no Jornal de Economia & finanças foi sobre o novo sistema viário de Luanda, onde os novos viadutos acabaram por ajudar a melhorar significativamente a mobilidade redoviária. Falamos do chamado “nó” da Unidade Operativa, o da Boavista, Zango e Kilamba. Infra-estruturas estas construídas em tempo “record” o que demonstra a necessidade de intervenção célere e responsável no atendimento e resposta às necessidades colectivas. Lendo o Jornal dos Desportos, deparei-me com um título de capa curioso: Estamos Lá. Referia-se à presença dos Palancas Negras ao Chan de Futebol a realizar-se no próximo ano no Quénia. Para lá estar, teve de vencer a sua congénere do Madagáscar, garantindo assim mais uma presença neste evento desportivo africano.
Inspiro-me no título para dizer também aqui nesta matéria de que já “Estamos lá” na quarta república, onde as esperanças de todos se renovam e na certeza de que, independentemente dos resultados - como disse o Presidente José Eduardo dos Santos - “juntos somos mais fortes”.
Somos mais fortes - ainda como lembrou o Presidente, em continuarmos a encarar a crise económica e financeira como uma oportunidade para nos libertarmos da dependência excessiva do petróleo e acelerarmos o processo de diversificação económica, através do aumento da produção interna e da redução das importações.
No campo, ou seja no interior, a agricultura floresce. A resposta aos novos desafios, ou seja, a leitura dos novos tempos, como advertia o jornalista José Chimuco, parece ter sido bem interpretada pelas famílias camponesas que diariamente colocam produtos do campo à fartura. O município da Cacula (Huíla) é um exemplo disto. As abóboras sobrepostas à beira da estrada são sinal da predisposição camponesa.