Excluindo já a questão dos resultados financeiros do repatriamento voluntário de capitais, cujos montantes transferidos para a banca angolana vai merecer o pronunciamento do BNA, como confirmou o seu governador, dois grandes momentos marcaram a semana: a revogação das licenças de dois bancos do mercado financeiro nacional e a promessa feita pelo novo governador de Luanda que colocou na sua agenda de prioridades o devolver alguma dignidade aos musseques que, quais cogumelos, se espalham pela capital.
1 - O que falar da banca nacional? Sem dúvida, muito. Hoje, o assunto banca quase deixou de ser matéria exclusiva de pessoas entendidas e estudiosas sobre o mercado financeiro. As evidências, boas e más, são tantas que os assuntos bancários entram facilmente para as nossas casas e suscitam, até aos nossos filhos menores, inquietações.
Pelas perguntas e dúvidas colocadas, facilmente eles conseguem depreender que algo precisa melhorar, já transportando aqui a presunção de que há sempre alguma coisa que esteja bem. Ouvem-se vários pronunciamentos contra este sector financeiro que congrega mais de 25 bancos mas que a sua actuação esteja, entretanto, aquém das expectativas.
O descrédito por estes operadores é de tal ordem que vozes já se levantaram no apelo às cooperativas de crédito por acharem que estas podem desempenhar um papel de maior respeito aos direitos dos clientes. Há uma infinidade de assuntos para caracterizar a nossa banca e as razões que a colocam num quadro de animosidade que deve encontrar as fórmulas mágicas para se desenvencilhar.
O banco central joga, em tudo isto, um papel preponderante e deve, pura simplesmente, trazer para a banca o que esta precisa de facto para que sirva coerentemente o mercado e reconquiste a confiança dos clientes. Situação como esta que levou a “proibição” de exercício de dois bancos (Postal e Mais) parece influenciar mais pela negativa no resgate que se quer dos nossos operadores financeiros. A banca não ficou bem na foto.
A banca comunica-se pouco ou mal, ouve-se dizer. E como consequência provoca a especulação. Claro, uma via a evitar se esta optar verdadeiramente em servir a economia, nos seus vários aspectos. Colhe-se de tudo um pouco em relação ao encerramento destes dois bancos, até de que - compreenda-se - tenha sido uma “decisão política”(?). Mas muita água ainda vai correr debaixo da ponte. A ver vamos…
2 - Com a nomeação de Sérgio Luther Rescova coloca-se o acento tónico na aposta a uma governação mais jovem, para tarefas hercúleas. Governar Luanda, permitam o termo, não é pouca tripa. “Aqui todo mundo manda…” Logo, o governador, mais citado pelo facto de ser jovem e juventude para grandes desafios parece ser sinónimo de cepticismo, diz-se a boca pequena, “andou bem” ao apontar a valorização dos musseques como prioridade.
É aqui onde nos vamos agora cingir, ou seja, tentar ajudar o governador a conhecer profundamente Luanda. Será que precisa mesmo?! Escreve-se repetidas vezes sobre a questão das assimetrias, do tratamento desigual que existe na capital. O grosso populacional vive nos musseques, onde não há estradas, a mobilidade é péssima, onde não há luz, há pt’s da candonga que mais levam aos apagões e luz fraca do que felicidades às famílias.
É preciso devolver a alegria de viver às pessoas. Percebe-se que haja vontade neste sentido mas é preciso correr. Não para continuar no mesmo sítio. Correr imbuído no espiríto de que é preciso acudir quem muito sofre, com dificuldade de se alimentar, apanhar transporte, ou porque mal existe, ou porque lhe falta dinheiro. E tratar da saúde.
Correr para se atingir a equidade social, onde todos sorriam porque a vida ofereceu razões. Nos musseques quase não existem razões para tanto sorriso. Onde quase ninguém conhece ninguém, onde a preocupação é lutar para terminar bem o dia. Onde, se se pergunta, quase ninguém conhece o seu administrador, ou porque não vive lá, ou por está pouco se importando pelo sofrimento dos que sofrem por falta de saneamento básico e chafurcados em lagoas de concentração de águas das enxurradas.
Onde não há água nas torneiras, como no centro da cidade, condomínios e centralidades. O que se passa na maioria dos musseques, como as Salinas, Tendas e Mundial, para citar apenas estes, é uma verdadeira “vida do cão”, como alguém um dia intitulou. Quando chove, pior ainda. Ao assumir olhar para as soluções dos musseques, o governador vai conquistar corações.