Os dados estatísticos apontam que a maior causa de morte em Angola prende-se com a guerra civil que assolou o país durante mais de 30 anos isso é, desde o período de 1975 até 2002, altura em que sucedeu a almejada Reconciliação Nacional traduzida nos acordos de Paz. A segunda maior causa de morte apontada é a doença da malária e seguidamente a sinistralidade rodoviária apontada como sendo a terceira.
Longe de qualquer contraposição e aceitando que assim seja, para as três causas acima identificadas há algo que por razões subjectivas é posta de lado, e não tida em consideração – a “Má Gestão”.
Se nós analisarmos os vários textos das Nações Unidas sobre os objectivos para o desenvolvimento do milénio, o que está escrito é que em África para que houvesse melhorias no Índice de Desenvolvimento Humano e uma redução da pobreza, as economias tinham de crescer em média 8,5% ao ano, que constitui uma diferença significativa dado aos indicadores actuais que apontam um crescimento de 1,2% para 2018 e 2,4% em 2019.
Embora se pareça não relacionada, a falta de uma boa gestão esteve na base destas e outras (se não todas), as efémeras, catástrofes, projectos e programas sem êxitos e dissonantes no nosso país. Em suma, posso seguramente afirmar e garantir sem medo de errar que “o progresso e desenvolvimento de Angola só não chegou aos níveis e números desejados pela falta ou senão mesmo pela Má Gestão”.
É comum no nosso quotidiano vermos por parte da sociedade manifestações, protestos e até represálias sempre que presenciamos o assassinato de uma ou mais pessoas. O que não se percebe e parece pouco importar a sociedade em geral é a identificação das verdadeiras causas que estiveram na base destes crimes bárbaros severos de punição.
Se um médico por incompetência ou negligência no acto de atendimento a um doente e que por sinal, o seu comportamento venha a resultar em danos graves ou mesmo na morte deste cidadão, certamente este médico seria alvo de represálias social e até responsabilizado criminalmente pelos seus actos.
O que pouco se percebe por cá, é que os gestores em muito se assemelham aos médicos. As suas actuações têm repercussões completamente idênticas no que diz respeito ao bem-estar do cidadão.
Os médicos na sua performance têm como primordial missão cuidar da saúde física das pessoas e os gestores da saúde financeira das organizações; a má actuação de ambos resulta em morte nos dois casos, pena é que, infelizmente, as pessoas não se dão conta disso. Um mau gestor constitui igual ou superior perigo que um mau médico, pois que, ao levar uma empresa a falência, o mau gestor periga significativamente a vida de muitas famílias, ou seja, de dezenas, centenas ou até mesmo de milhares de pessoas.
Se hoje nos questionássemos quantas vítimas mortais foram causadas em resultado da “má gestão” certamente chegaríamos a números superior as causas apontadas inicialmente, sem por de lado que estas mesmas causas supracitadas (guerra, doença da malaria e a sinistralidade rodoviária) em abono da verdade são também resultado consequentes da “má gestão”.
O mundo evoluiu, e em res posta as consequências provocadas pela revolução in dustrial que implicaram no crescimento acelerado e desorganizado das organizações, surgiu a administração moderna que passou a exigir uma gestão científica capaz de substituir o empirismo e a improvisação.
A economia, a ciência comportamental, a estatística e a análise quantitativa são ferramentas para o gestor, tal como os testes laboratoriais o são para um médico.
Em pleno século XXI, e já face às exigências impostas pela 4ª Revolução Industrial, fica mais do que provado de que, para responder aos constantes desafios que se impõe na era actual, os gestores precisam de estar preparados e habilitados tecnicamente, humanamente e conceitualmente.
Em Angola estão identificadas as razões fundamentais na proliferação do fenómeno: “má gestão”. Tudo prende-se com a falta de competências técnicas e pela falta postura ética corporativa e governativa. Esta cientificamente comprovado que gestão é uma profissão e naturalmente deve ser exercida por profissionais qualificados. A formação de excelência, a capacitação de quadros, a imbuição deontológica e humanísticas, a meritocracia, o critério de selecção por especialização devem constituir-se em prioridade urgentes em Angola para que possamos “descontinuar” este filme sangrento que ceifa milhões de vidas de angolanos.