Diz-se “que passamos maior parte de nossa vida social no trabalho”. Sendo assim, o ambiente de trabalho é o ambiente mais constante para manifestarmos as realizações de nossas pretensões vitais. Sendo estas estimuladas por nós mesmos, pelos colegas de trabalho, ou pelos superiores hierárquicos. Mas também o ambiente de trabalho é local onde a luta dos contrários é mais recorrente e, portanto, sentida por todos os seus integrantes, desde a chefia de topo aos chefes intermédios e colaboradores de base. Fala-se e escreve-se muito sobre a necessidade de se desenvolver no ambiente laboral inteligências competitivas ou criar uma cultura competitiva.
Esta condição é fundamental, por um lado, pois, permite explorar cada vez mais o desempenho individual de cada integrante da organização, tornando-os mais valorizados para a organização, bem como, externalizar todas as suas potencialidades nas suas variadas dimensões e aspectos, independentemente da função ou posto que ocupa dentro da empresa.
No entanto, o risco que pode advir desta culturalização é de nos colocarmos tão distintos e distantes uns dos outros ao ponto de nos esquecermos do todo que faz a organização e transformarmos a organização no palco de competição e não cooperação onde os membros cegam a si próprios sem conseguir enxergar o outro e muito menos o todo que é a organização com todos os seus valores e princípios constituintes.
As motivações organizacionais devem estar acima de qualquer vontade ou competição individual, mas as mesmas – motivações – devem contar com as motivações individuais.Quem gere equipas de trabalho deve ter em conta este princípio universal “para fazer o todo é imprescindível que as partes estejam interligadas e o que as interligam são os valores organizacionais e a capacidade do líder ou do gestor passar por motivar o todo e não parte deste. De contrário, terá uma equipa vulnerável a qualquer conflito, colocando em causa os objectivos e interesses da organização.Pensamos que um dos grandes desafios consiste em gerir o todo organizacional nas suas variadíssimas formas de manifestação e encontrar nisto um rumo de sucesso. Gerir pessoas é tão complexo quanto gerir a si mesmo. Pois, estamos a falar de seres humanos, dotados de pensamentos, sentimentos e livre arbítrio e não de um conjunto de órgãos robotizados que agem inquestionavelmente por mero comando do comandante (o chefe). O gestor tem que ser capaz de olhar além das diferenças e ter uma visão holística da realidade para saber motivar a sua equipa e levá-la ao tão desejado sucesso garantido.
O desconhecimento desta particularidade no mundo laboral leva a que muitos gestores cometam erros de palmatória colocando em causa todo um sucesso e harmonia organizacional. O simples comportamento descriminatório pode enfurecer parte de uma equipa de trabalho ou mesmo a intolerância e a arrogância de um responsável poderá de certo modo inibir os seus colaboradores a serem autênticos e íntegros para com os valores, visão e missão da empresa. Ser gestor não é apenas cargo ou função, mas uma missão, um compromisso organizacional. Por ele passam ou deveriam passar todas as preocupações da sua equipa e ele deve ter sabedoria e serenidade para analisar cada uma e procurar resolvé-las de acordo com as prioridades e complexidades das mesmas. É irresultável procurar motivar a sua equipa se não se é nutrido, enquanto gestor, pela mesma motivação ou energia maior. É mister que as palavras de motivação e encorajamento estejam alinhadas ao estado motivacional que se esteja a viver e quando muito ser maior.
A coerência das palavras à acção devem ser o perfil de um excelente gestor. Pode se dar o caso, naturalmente, que se esteja a passar, ou que se vai passar por situações menos boas, ao nível da organização, ainda assim o gestor deve ter capacidade e destreza de transmitir a situação que se esteja ou que poderá atravessar e encontrar na sua equipa soluções para melhor superação possível, com menos custos e elevados níveis de resilência e aprendizdo.