A diversificação da economia é um facto que se impõe neste momento, com vista a se atingir a auto-suficiência alimentar, sobretudo dos alimentos necessários que compõem a cesta básica. Esta política está a incentivar os antigos e novos agro-pecuaristas a desenvolverem projectos de monta cujos resultados primários estão a reanimar a vida nas comunidades rurais.
A máxima segundo a qual a “vida faz-se nos municípios”, colheu a simpatia dos produtores, com a implantação de fazendas agrícolas em localidades onde o quotidiano era monótono. As acções em curso cativaram os jovens empreendedores ao ponto de se redescobrirem e sentirem-se valorizados.
Nas fases iniciais da implementação dos projectos agrícolas, o mundo rural quase que morria de espanto, por isso questionavam sobre o que se estava a passar, e entravam em pânico ao observarem as potentes máquinas movidas a gasóleo e homens de fato-macaco
a penetrar em matas fechadas.
O árduo trabalho reflectia-se nos resultados. Matas completamente limpas e em condições de receber sementes de cereais com realce para o milho e feijão. O pânico gerado no seio da população nativa, se transformaria então em alegria e num bem comum, face às oportunidades de emprego que se criam, preferencialmente para os nativos.
O empenho reconhecível, sem olhar para os efeitos nefastos da crise, responsável por inviabilizar a materialização de muitas ideias dos pequenos e grandes agricultores, permitiram o alargamento dos espaços de cultivo e com o acréscimo de haver mais condições para se diversificar a produção.
Já há zonas em que os resultados estão a vista. A prova está no actual cenário dos mercados formais e informais. Em Luanda, por exemplo, destacam-se os mercados do km 30 e do Catinton. No Lubango, as referências são os mercados do Mutundo e a famosa Praça do Peixe.
Dezenas de toneladas de batata rena, doce, mandioca, hortofrutícolas, cereais e seus derivados, são comercializados a preços módicos. Basta ter paciência de ir ao encontro do que é nacional, tem qualidade e com melhores proteínas e vitaminas para assegurar a longevidade da saúde.
Aliás, continua a crescer a preferência e procura pelos produtos nacionais.
Mas ainda assim, o actual número de consumidores parece não estar a corresponder com as expectativas dos agricultores, por em certas épocas, geralmente, das colheitas, persistir a deterioração de quantidades consideráveis de bens do campo.
Apesar de cada produtor ter a preocupação de procurar os mercados para escoar as safras, ainda assiste-se a olho nu a batata, tomate, cebola, couve, repolho e outros, a estragar e atirados ao lixo.
Uma das consequências actuais tem a ver com a preferência de muitos investidores agrários a optarem em lavrar alimentos não perecíveis como por exemplo o milho.
Se a onda pega, corremos o risco de num curto espaço de tempo, haver pouca gente a cultivar hortaliças, tubérculos e o mercado registar a escassez considerável dos bens citados. Pelo sim pelo não, há alternativas que, ao serem adoptadas, bem poderiam inverter a situação.
Por isso, deve-se adoptar políticas eficientes e exequíveis que visam a protecção da produção nacional, onde se enquadra a redução das importações nos períodos das safras e respectiva comercialização. Para ser específico, comungam
nesta via dezenas de agricultores.
Certos produtores vaticinam que com a redução das importações ou agravamento dos custos aduaneiros no período em que o país se encontra em
colheitas, pode minimizar a situação.
Mas, é claro que esta via passa por uma estatística fiável dos índices e diversidade dos alimentos produzidos.
Razão para os sectores da Agricultura, Comércio e Estatística terem a nobre missão de avaliar e aprimorar os dados referentes as actuais quantidades que têm sido cultivadas nas potenciais zonas produtivas do país para se aferir o que temos disponível, a nossa capacidade produtiva, o excedente, a qualidade necessária para o mercado.
Com estes dados, haverá condições para se travar a importação de determinados alimentos do campo, porque o país afigura-se capacitado para corresponder com as necessidades do mercado. Nesta senda, os produtores terão o devido esclarecimento relativamente aos
produtos que se têm deteriorado.