À janela do apartamento de um amigo na nova centralidade do Kilamba contemplamos a imensidão do complexo habitacional e rapidamente vislumbramos um “outcome”, proveniente daquela vista esplêndida. Mas o significado, claro, que tinha de ser esmiuçado financeiramente, pois para nós, uns parcos economistas/financistas sempre encontramos uma explicação económica e financeira de tudo o que nos rodeia, pois como dizem os outros, todos os fenómenos derivam ou têm uma explicação proveniente da teoria e prática económica e financeira.
O facto motivador de que se estará a pagar/ /comprar um imóvel que futuramente poderá ser seu, dando asas ao ditado que há uns anos para cá, era considerado sonho ou miragem, “quem casa quer casa” e “mesmo quem não casa, também precisa de casa”, reforça a crença de que este problema estrutural da nossa sociedade parece estar a ser resolvido de forma satisfatória.
Económico/financeiramente os apartamentos e vivendas do Kilamba, Zango, Kapari e Quilómetro 44 representam uma lufada de ar fresco e um aumento muito considerável da oferta de residências, o que segundo a famosa e prática lei da oferta e procura, representa uma queda no preço de venda e valor das rendas das residências (fortemente especulado e manipulado), na procura de um melhor preço de equilíbrio, o ponto em que a procura e oferta de um bem se encontram, representando assim um ponto óptimo, em que o mercado estará disposto a comprar ao melhor preço existente (o mais alto que alguém deseja pagar), e vender ao melhor preço existente (o mais baixo que alguém esteja disposto a receber).
É o mesmo que afirmar que, quando um bem passa de escasso à abundante, o seu preço deve cair, pois haverá muita gente à procura (devido ao aumento das quantidades oferecidas) do que anteriormente, mas neste caso a queda dos preços derivou de um acto administrativo.
Ainda assim, o efeito deverá ser o mesmo. É importante citar que os ajustamentos para a procura do preço de equilíbrio devem ser provenientes do próprio mercado, pois só assim tornam-se reais e reveladores da vontade dos agentes económicos.
O artigo fala em concorrência porque imediatamente os detentores de imóveis para a venda e arrendamento deverão repensar as suas estratégias, quiçá reduzir as margens de ganho, porque neste momento estes deixaram de ser competitivos, porque estão no mercado a vender um produto a um preço mais elevado do que a concorrência e em condições normais não deverão conseguir vender/arrendar, a menos que reduzam os preços significativamente.
Aqui está o lado bom da concorrência, pois ela exacerba o espírito de competitividade entre os agentes económicos, pois faz com que eles se superem, melhorem a qualidade dos serviços, modernizem-se, procurem processos de produção mais exequíveis, reduzam a sua estrutura de custos para níveis saudáveis, deixem de especular sobre as margens de lucro e por fim passem a ser eficientes em vez de eficazes.
Quem ganha, numa primeira fase, é o consumidor final que verá aumentado o seu campo de alternativas sobre um mesmo bem e com mais e melhor qualidade e a preços mais apetecíveis, ganhando assim o poder de escolha.
Por outro lado, é bom para o país, visto que o primeiro passo para a internacionalização de qualquer economia é a forte competitividade interna, que deverá satisfazer o mercado local e posteriormente a exportação será um passo inevitável, mas com a nuance destas empresas exportadoras não serem meras principiantes e demonstrarem garra suficiente para ombrear com as suas congéneres estrangeiras em termos de estrutura de custos (que define o preço final do produto) e da própria qualidade dos produtos.
A concorrência óptima é importantíssima para os recursos humanos, em particular para Angola que está em franco crescimento económico com a criação de empresas que garantem postos de trabalho. É decisivo que se crie o espírito de competitividade na corrida à qualificação académica e profissional interna e externamente para que os melhores possam ocupar os cargos de destaque
no sector privado superando a concorrentes estrangeiros que vêm de outras paragens com experiencia profissional. É importante entender que só desta forma (sendo competitivos), poderemos vencer os desafios profissionais e nunca por meio de decretos administrativos que venham promover a “angolanização” dos postos de trabalho.
Neste contexto, podemos afirmar com segurança que a concorrência que origina a competitividade óptima é necessária em todos os campos da economia nacional para que as próprias empresas se fortifiquem e forneçam melhores serviços ao consumidor
final, bem como para que se evite subvalorizar e sobrevalorizar as empresas, separar as boas empresas das menos boas, pois aquelas que não forem competitivas, ou boas, deverão deixar de vender e encerrarão as portas, para evitar tal desfecho terão de mudar a sua abordagem ao mercado.