Nas economias modernas a profissão ou actividade de um departamento de finanças de uma instituição sem fins lucrativos ou governamental deve ser diferente em relação ao mesmo departamento de uma sociedade comercial, pois a prossecução pelo lucro altera imediatamente o objectivo do director financeiro de cada uma das empresas.
É importante que o “ financeiro” da sociedade comercial faça basicamente tudo o que o responsável de finanças de uma instituição pública faz, que são as actividades ligadas a pagamentos de serviços, salários e subsídios e outras tarefas adstritas à administração
financeira regular.
A verdade é que o financeiro de uma empresa puramente comercial tem de todo uma função mais árdua e complexa, pois este tem a função de fazer crescer o dinheiro do accionista, isto implica que deve ter a elasticidade de tornar o pouco em muito, ou pelo menos, em mais do que pouco.
A questão é mesmo estabelecer uma distinção entre um e outro, visto que um tem a função de captar dinheiro alheio via contracção
de dívida ou pelo aumento da base accionária da empresa e deve, obrigatoriamente,
fazer este capital crescer para entregar aos emprestadores.
Portanto, este tem de ter uma relação quase íntima com a incerteza no retorno dos investimentos efetuados, ou seja, o que em finanças é conhecido como risco, pois os investimentos que este financeiro tem que fazer devem apresentar taxas de rentabilidade
mais elevadas do que investimentos públicos e por conseguinte a componente incerteza acaba por ser decisiva.
Este profissional tem de ter uma visão ampla e apurada para identificar as áreas ou instrumentos financeiros de maior rentabilidade
e menor risco, bem como deve ter em atenção o fenómeno da diversificação dos investimentos e isto é importante porque
a regra básica de um financeiro desta natureza é não colocar todos os ovos na mesma cesta, porque se a cesta cair para o chão partem-se todos os ovos e a empresa comercial não pode dar-se ao luxo de perder os ovos que detém, que por sinal são emprestados.
Por outras palavras, este financeiro tem que ter fortes conhecimentos sobre a proporção de risco e rentabilidade dos activos, diversificação de investimento e a relação entre prazo e rentabilidade dos produtos financeiros. É o mesmo que dizer que deve ser um conhecedor de finanças, ao passo que o “outro” financeiro, ou seja, financeiro de entidades que não têm o lucro como prioridade deve ser um conhecedor de técnicas administrativas e contabilidade empresarial.
Este último não precisa de se confrontar com a incerteza sobre o futuro, uma vez que detêm uma fonte de financiamento quase inesgotável que com o seu desempenho bom ou menos bom o resultado é o mesmo.
Sem desprimor do financeiro público, pois tem a sua importância comprovada, há que ressalvar a diferença entre um e outro, o que temos visto em muitas sociedades é a ideia de que quem trata de pagamentos e outras operações mecânicas é considerado um verdadeiro financeiro, até porque estamos a falar de finanças, que por definição corresponde a capacidade ou arte de gestão/
utilização de activos financeiros com o intuito de multiplicar os exíguos recursos alheios aplicados nestes mesmos activos financeiros. E para isto, para ser um verdadeiro director financeiro é preciso muito mais do que possuir curso de economia,
administração ou gestão, mas sim, é preciso saber de finanças.
Segundo muitos especialistas na área de finanças, é importante manter esta distinção sob pena de subvalorizar-mos os homens e mulheres das finanças, e não atribuirmos crédito merecido àqueles que trabalham sobre um mercado de expectativas em forte contexto de incerteza em que os resultados são quase impossíveis de prever.