Para as empresas, Estados e famílias a planificação é extremamente importante, pois só planificando o hoje poderemos ter uma ideia realística do amanhã, é realística mas não exacta, pois temos obrigatoriamente de contar com o factor incerteza, que os financistas preferem chamar de risco, que é a probabilidade de o retorno esperado diferir do conseguido.
Chamamos a atenção para o facto de o presente artigo debruçar-se sobre projectos de investimento, pois há sim diferença entre os de investimento e os mais variados. Os de investimento implicam necessariamente a aplicação de recursos próprios ou alheios (de sócios ou terceiros) para obtenção de retorno, e por definição são virados para a criação e obtenção do lucro. Como devemos entender que as pessoas que aplicam ou investem as suas poupanças em determinado projecto de negócio não o fazem pelos lindos olhos do gestor ou por amor à camisola.
Acreditamos que tudo, e aqui chamamos tudo ao aparecimento das empresas e consequente prosperidade económica, começa com uma ideia ou uma necessidade. Ora vejamos, se determinado indivíduo ou grupo de pessoas tomarem a iniciativa de criar determinado negócio de exploração de qualquer bem ou serviço em determinada área, estaremos a dar início ao processo de investimento que é antecedido de um projecto de investimento.
Depois de bem estruturada a ideia, passamos para a próxima fase que é a sua esquematização do negócio no papel (ou em ficheiro Excel), este processo de colocar a ideia em papel apoiada por estudos de mercado, do ambiente, da análise da concorrência, dos pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças do negócio, corresponde à primeira parte do projecto, visto que nesta fase ainda não é empresa, mas sim projecto.
Terminada a análise ao mercado, é estimado o valor do investimento, ou seja, os activos imobilizados necessários para montar fisicamente o negócio (capacidade da maquinaria e potência de geração de output), são estimados os custos e proveitos, tal estimativa é feita com base em negócios similares já existentes ou em funcionamento, caso existam, de outra forma deverá ser feita a análise com base em estimações mais realísticas possíveis. A determinação dos proveitos deve ser realística para que o normal funcionamento da empresa consiga cobrir os custos com as suas vendas, fazer face ao serviço da dívida de curto prazo e manter vivo o fundo de maneio necessário, acautelando assim as necessidades de capital circulante.
O passo seguinte da projecção do negócio é a determinação do financiamento e da sua fonte, o melhor financiamento deverá sempre ser aquele de menor carga de juros e com maior maturidade, por outras palavras, o financiamento mais apetecível não deve ser aquele do banco com as cores do nosso clube de futebol ou do nosso amigo do peito, mas sim o banco que nos ofereça um serviço da dívida (juros + capital) mais baixo.
Apenas após determinação do valor investimento em activos fixos e activos ou capitais circulantes é que estaremos em condições de saber o valor total do investimento que vai condicionar o do financiamento, pois tal como nas famílias, só vamos ao banco pedir o crédito para comprar a casa ou carro depois de sabermos para que fim o queremos, de acordo com as nossas necessidades e possibilidades. Para as empresas, é exactamente o que ocorre, depois de calcularmos o valor que será preciso em termos de investimento em capital fixo e circulante, toma-se a decisão pela melhor fonte de financiamento para obtenção do crédito.
Por norma, a dívida contraída não deverá corresponder ao total do investimento, pois os proprietários do negócio devem avançar
com determinada percentagem denominada capital social que é sempre parte do investimento. Temos que ressalvar que, apesar de muito boa gente fazer confusão entre os conceitos de financiamento e investimento, estes não são a mesma coisa mas sim faces da mesma moeda, pois o financiamento paga” o investimento e este depois tem de ser posto a funcionar para ressarcir o financiamento.
Daí a importância da regra de ouro, dos projectos e empresas, que defende que não se deve incorrer em dívidas para investir em activos que gerem recursos num período superior à maturidade das dívidas contraídas, pois assim não teremos como as pagar.