Preservação do meio ambiente, inserção social, geração de riqueza são apenas alguns dos muitos benefícios que podem ser encontrados, a partir de duas soluções simples, mas eficientes: colecta selectiva do lixo e reciclagem dos materiais reaproveitáveis. Trata-se de uma ideia politicamente correcta capaz de sensibilizar a população, além de despertar nas pessoas a consciência para a preservação do meio ambiente. No nosso país, em particular, avultam as iniciativas, isoladas ou coordenadas por instituições
sectoriais. A prática quotidiana, porém, denuncia o quão pouco se tem avançado nessa direcção.
Nota-se, evidentemente, que se procura começar pelo mais simples, nomeadamente, a educação da população
no sentido de aprender a separar o lixo seco (reciclável), do molhado (orgânico). Mas, será isso suficiente? Talvez o mais recomendável fosse mesmo convencer as pessoas de que nem tudo o que se leva para a lixeira é lixo. Para tanto, talvez seja necessário, também, fazer-se um pouco mais do que apenas as campanhas de sensibilização, com spots, banners
e camisolas. Com raríssimas excepções salvaguardadas, o facto é que o país não tem nem cultura, nem indústria de reciclagem do lixo. Impõe-se por isso e no curto prazo, algum investimento neste nicho de negócios. Por outro lado, acredita-se ser possível fazer-se algo um pouco mais avançado, como deixar um espaço exclusivo para cada material, além de que as pessoas deviam ser levadas a fazer a devida limpeza nas embalagens, antes de as descartar, já que, no caso da reciclagem, quando essa limpeza não é feita, os materiais a recuperar acabam por perder o seu valor e pode não ser possível aproveitá-los.
Relativamente à ideia da selecção e reciclagem do lixo, tão importante quanto ela é a consciencialização da população para evitar o consumo exagerado dos produtos, identificado que está o grande défice de campanhas, voltadas para orientar as pessoas, no sentido de reduzirem o consumo e principalmente aumentarem a vida útil dos equipamentos, com particular destaque para os electrónicos, como são os casos dos aparelhos de som, geleiras, telefones celulares, computadores, baterias, etc., que são substituídos com uma frequência demasiado rápida, gerando o que se convencionou chamar por lixo electrónico. É claro que essa velocidade de substituição tem estado a gerar problemas ambientais muito sérios porque os equipamentos possuem componentes tóxicos como chumbo e cádmio, entre outros, razão porque, não devem ser dispensados como lixo comum, até porque têm componentes que podem ser reutilizadas.
Assim como o lixo electrónico, há muitos outros materiais tóxicos para a natureza que podem ser reaproveitados e não o têm sido. Pelo menos, não na medida do desejável. Um bom exemplo disso são os óleos de cozinha que uma vez reciclados, podem ser transformados em produtos de higiene e limpeza, como o sabão e detergentes.
Ao contrário, ao serem descartados sem os devidos cuidados, têm estado a entupir tubulações ou caem nos canais da rede pluvial e contaminaas águas e os solos.
Pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes, que contêm metais pesados, também deveriam ser reciclados. A excepção seria para os lixos hospitalares, por demandarem uma série mais específica de cuidados. Ainda assim, devem ser sujeitos à colecta especial, direccionada para aterros sanitários também especiais.
Procedimento idêntico deveria ser adoptado para o lixo dos banheiros porque o papel higiénico, as fraldas descartáveis e os absorventes íntimos que o compõem, depois de utilizados, estão bem contaminados e podem até derivar problemas graves
de saúde pública. Uma forma de resolver todo o problema poderia ser também pela institucionalização da chamada responsabilidade solidária, devendo esta consistir na responsabilidade que os proprietários das logomarcas deveriam ter, quanto ao destino final a dar aos produtos em que estão presentes.
Potenciavam-se, assim, a atitude dos fabricantes em adoptar o sistema de logística inversa, bem como, uma profunda alteração nos hábitos dos consumidores que seriam estimulados a preservar as notas fiscais das mercadorias que adquirem, tendo em perspectiva uma eventual futura descaracterização destas pelos fabricantes.