De facto, as últimas acções do Executivo, entre as mais sonantes, o reforço do poder e seriedade das instituições, a criação de programas de fomento e fortificação do empresariado e iniciativa privada, bancarização da economia, aculturação financeira, combate à economia informal, regulamentação dos pagamentos dos residentes cambiais, elevação do kwanza como principal meio de troca nas transacções comerciais e ainda a viabilização das condições para o arranque de um mercado de capitais adequado à realidade nacional, correspondem a um conjunto de sinais que compõe uma mensagem que o Executivo está a tentar transmitir ao mercado financeiro nacional e à economia em geral.

A mensagem é clara e inequívoca, o momento da virada tem que ser agora. Ora vejamos, comecemos pelo incentivo aos programas de fomento ao empresariado nacional, o que se está a fazer aqui é, através da criação de linhas de financiamento, selecionar os melhores projectos de investimento para serem transformados em micro, pequenas e grandes empresas que, na verdade, darão origem a uma elite empresarial forte (como em todos os países), prolificação de mais postos de trabalho, maior produção agregada ou seja maior PIB, e consequentemente maior arrecadação para o Estado.

Na prática, a maior arrecadação para o Estado implica melhores hospitais e estradas, em poucas palavras e sem rodeios, o Executivo quer criar mais empregos e aumentar o rendimento per-capita dos cidadãos, mas desta vez sem comprometer aos fundos públicos, mas sim dando oportunidade ao privado de crescer.

As medidas ligadas ao sector bancário e protecção da moeda nacional têm a função directa de colocar mais dinheiro no sistema e potenciar o sistema financeiro nacional para que tenha mais robustez e conceda melhores respostas aos seus solicitadores, visto que a medida que a nossa economia vai crescendo e o volume de investimento directo estrangeiro quadruplica, as transacções tornam-se mais complexas e de carácter mais global e a banca deverá acompanhar este movimento, sob pena de ficar para trás e ver a entrada em cena de actores internacionais com altos graus de operacionalidade e habituados a estas lides.

O Executivo quer que a banca se reforce e que ao mesmo tempo apoie o crescimento económico do país, e mais uma vez realçamos, não pelo lado do Estado que faz tudo, mas sim pela iniciativa privada nacional, pelo novo empresariado nacional que está a ser projectado, visto que as empresas, quando ainda projectos, necessitam de captar financiamento a taxas de juro simpáticas e compatíveis com os seus proveitos económicos e financeiros, por outro lado, no papel de empresas em funcionamento pleno, necessitam de capital circulante ou de giro (como alguns preferem chamar) para manter vivo o seu ciclo de produção ou operacional. Por este motivo, é inegável a necessidade de um sistema bancário estável e muito líquido, pois as necessidades de créditos directos à economia não devem parar de crescer, visto que, além das empresas, as famílias também, de uma forma natural, terão necessidades de obter mais créditos de varia ordem, visto que a medida que a prosperidade social vai sendo evidente o normal é contraírem-se mais empréstimos, mas como iremos explicar num próximo artigo, a dívida em si não é má, mau é fazer a dívida sabendo que nãose tem capacidade de pagar.

O Executivo, com o reforço do poder institucional das instituições de direito e com as políticas que tem levado a cabo para o controlo da inflação e solidez cambial, tem tentado dizer ao mercado que a economia nacional poderá se apoiar numa plataforma de endividamento estável, pois controlando a taxa de inflação, estaremos muito perto de manejar melhor a taxa de juro, bem como estará a colocar intervalos cerrados à variação do risco país, o que também influencia na capacidade de endividamento da economia.

Entendemos que em sentido amplo, que o Executivo ao querer entregar a responsabilidade de fomento de crescimento e desenvolvimento da economia nacional ao sector privado, não está de forma alguma a apartar- se das suas responsabilidades, mas sim a disseminar o grau de contribuição de cada um de nós para o engrandecimento do país, pois o Estado continua e continuará com a sua nobre função de prover mais e melhores bens públicos e cuidar para que a mão invisível de Adam Smith não trabalhe sozinha, portanto o que devemos compreender é que chegou a hora de empresariado privado nacional mostrar o que vale e assumir a responsabilidade de ser o motor de crescimento económico.