A escassez de combustíveis que se registou nos últimos dias em Luanda levantou muitas discussões no que toca ao processo de produção, distribuição e consumo desse recurso estratégico da economia nacional.
Muitas vozes, sobretudo, de especialistas, académicos e até da sociedade civil, levantaram-se e criticaram a forma como o Executivo tem conduzido as políticas de gestão dos combustíveis a nível da economia.
O que se assistiu em Luanda e noutras províncias do país vem, certamente, demonstrar a falha que existe na cadeia de distribuição. Por essa razão, é necessário que se reveja de forma cautelosa o circuito para que situações idênticas não se repitam no futuro, pois o fenómeno causou enormes prejuízos à economia, sobretudo ao sector empresarial privado que viu as empresas a baixarem de produtividade por força da elevada taxa de absentismo nos locais de trabalho.
Aliás, os prejuízos não foram somente registados nas empresas. As famílias também viram os seus rendimentos baixar, ao pagar por cada litro de gasolina um preço muito além do estipulado às mãos dos revendedores, que aproveitaram a ocasião para aumentar os seus lucros.
Em função disso, muitas vozes nas rádios e noutros órgão de comunicação, redes sociais, enfim, levantaram-se e repudiaram a atitude dos cidadãos que enveredaram por essa via, classificando-os como oportunistas, “que se aproveitaram do sofrimento de muitos para retirar algum rendimento”.
A pergunta que surge é: Será que houve mesmo um certo oportunismo por parte destes cidadãos? Ou são autênticos empreendedores?
É necessário que as pessoas tenham consciência do que se está a passar e contextualizar os factos de acordo com o momento da economia actual.
Se definirmos o empreendedorismo como a capacidade de identificar e explorar uma oportunidade de negócio, aí diriamos que estamos diante de um empreendedor, p0is o empreendedor é aquele que transforma os desafios numa oportunidade para fazer negócio.
E foi isso que exactamente aconteceu. A escassez foi o determinante para o aparecimento do problema económico. E, diante de um problema económico, o agente como racional procura formas de minimizar o tempo, os recursos e energia para maximizar os seus rendimentos.
Numa economia como a nossa, onde há desemprego elevado, as famílias têm que procurar diversas formas para sobreviver, não enveredando por outras vias, como roubo e assaltos, mas aproveitar qualquer situação para sustentar a família.
De resto, a atitude dos revendedores, como se assistiu em Luanda, vem mais uma vez demonstrar que o sistema económico ainda é ineficaz para satisfazer a necessidade crescente de consumo.
Agora, o Estado como agente regulador deve criar mecanismos para impedir tais práticas semelhantes às de dumping, do açambarcamento e às de arbitragem, intervindo na economia com medidas sancionáveis.