O Presidente da República, João Lourenço, esteve esta semana em Yokohama, no Japão, onde participou na 7ª Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD7), sendo certo que se trata da sua primeira grande cimeira naquelas paragens do Continente Asiático, onde discursou e apresentou a visão angolana de como a África e os africanos devem posicionar-se numa futura cooperação com o Japão e outras grandes potências mundiais.
Esta cimeira de grande prestígio internacional para os países africanos que enfrentam, há décadas, o desafio de alcançar o desenvolvimento e têm na sua agenda também, e até ao ano 2030, atingir pelo menos metade dos 17 Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, devem ver o Japão como um indispensável parceiro para o cumprimento desta importante missão, e abraçar hoje mais do que nunca essa oportunidade com grande responsabilidade. Não pode ser mais um daqueles encontros que junta líderes de vários países africanos, e volvidos anos, tudo cai no esquecimento, como vem acontecendo há décadas.
Estes eventos, na verdade, devem justificar as viagens dos chefes de Estado e de Governos, que se deslocam em nome dos seus representados, no caso, o povo. É preciso, para isso, a maximização de todas as parcerias daí conseguidas, com resultados palpáveis para os seus países. Angola deve trazer de lá algo que justifique também a presença de tão ilustre convidado.
Apesar de as metas globais das Nações Unidas incluirem acções com vista a eliminar a fome, a pobreza e assegurar que todos os habitantes da terra possam beneficiar de paz e prosperidade, o Continente Africano continua a ser o parente mais pobre da humanidade. Portanto, mais uma cimeira, menos uma, a verdade é que o mais importante são os resultados trazidos delas. Entre as necessidades africanas de desenvolvimento, na visão do estadista angolano, está o pragmatismo dos governos, parlamentos, autoridades regionais e locais, das universidades, institutos de investigação, organizações filantrópicas, cooperativas, empresas e das organizações da sociedade civil que devem agir como verdadeiros parceiros, para que a prosperidade e o bem-estar possam chegar aos mais pobres e aos mais vulneráveis em toda a África.
Acelerar a transformação económica continental e melhorar o ambiente de negócios através da inovação e envolvimento do sector privado é e continuará a ser o grande desafio de África no geral e de Angola em particular. Esse desiderato só será possível se houver uma verdadeira complementaridade estratégica entre os estados africanos e o sector privado de cada país, para se alcançar com sucesso as metas do desenvolvimento sustentável.
Nesta perspectiva, os estados, a quem cabe o papel de órgão regulador e coordenador de todo o processo de desenvolvimento económico e social de África, têm estado a falhar redondamente. É preciso que não seja mais um encontro, para um continente, cujos verdadeiros heróis têm sido os empresários. A estes, é importante que lhes seja reservado o papel de motor do crescimento económico, num ambiente competitivo que leve a permanente criação de riqueza e de valor de maneira eficiente para a verdadeira aceleração do desenvolvimento geral de África. E mais do que estes, é preciso que o montante vindo do gigante asiático seja, na sua maioria, alocado aos empreendedores, universidades e jovens com ideias criativas. Para que haja essa almejada aceleração para a transformação, apela-se ao desempenho do sector privado, com os Estados a criarem apenas as condições para a remoção das falhas de mercado, combatendo os monopólios, assim como remover a burocracia e outros vícios e obstáculos desnecessários da administração pública.