As relações económicas entre Angola e Portugal são centenárias, associadas à matriz histórico-cultural, sendo esta uma mais-valia que se transforma num valor económico pela facilidade que introduz na comunicação.
Fruto da actual conjuntura económica e financeira mundial, as duas economias têm sido “fustigadas” negativamente. A queda acentuada do preço do barril de petróleo no mercado internacional ao longo dos últimos anos tem agravado o relançamento do sector produtivo angolano.
Apesar do optimismo de algumas instituições mundiais, como por exemplo, as Nações Unidas que perspectivam para os próximos dois anos o crescimento de algumas economias em desenvolvimento, é ponto assente que a cooperação económica é a melhor solução para se debelar a crise actual.
Num mundo cada vez mais global, os desafios para a economia são exigentes. Pensando neste prisma, a cidade de Luanda acolheu, esta semana, o II Fórum Empresarial Angola-Portugal, uma iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria de Portugal-Angola (CCIPA).
No evento ficou patente que as sinergias entre os agentes económicos e empresariais no espaço da CPLP, especialmente entre Angola e Portugal, são uma oportunidade para a cooperação objectiva e um estímulo para a diversificação e internacionalização das economias.
O Executivo angolano tem gizado políticas que visam mitigar o impacto da crise económica e financeira, tendo aprovado estratégias, que de modo gradual e consistente têm aumento as receitas tributárias não petrolíferas e a adopção de políticas fiscais e monetárias.
Entre as políticas e medidas destaca-se cortes em alguns subsídios, ajustes de programas e planos, que visam tornar a economia ainda mais robusta.
O fundamental tem sido também manter a dinâmica da diversificação da economia, com a revitalização do parque industrial e desenvolvimento de outros sectores menos vulneráveis, como o da pecuária, agricultura, turismo, indústria transformadora, transportes, geologia e minas, entre outros.
Nestes sectores, Portugal tem uma vasta experiência, sendo que Angola pode aproveitar ao máximo o potencial tecnológico e na formação de recursos, para que o país volte aos tempos de exportador por excelência, principalmente do café e o milho.
Assim sendo, Portugal pode jogar um papel preponderante para que a médio prazo Angola vença as actuais dificuldades.
Dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) indicam que, no último ano, o saldo favorável a Portugal relativamente às trocas comerciais com Angola desceu 34,4 por cento entre Janeiro e Novembro.
Para se reverter o quadro, deve-se agilizar uma estratégia para enfrentar com sucesso os actuais indicadores macro-económicos dos dois países, apostando nas valências que os dois países têm.
Angola tem um grande potencial por explorar, precisando apenas de juntar esforços para que os desafios e objectivos assumidos no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) encontrem terreno fértil.