As relações entre Angola e Rússia remontam desde a época da luta pela independência nacional. Desde então, os dois países têm mantido uma cooperação política muito forte, sobretudo no sector da educação e da indústria mineira. Muitos quadros angolanos foram e continuam a ser formados na Rússia e a empresa Alrosa é a mais representativa na exploração dos diamantes angolanos, no âmbito da parceria com a empresa angolana Catoca que explora uma das maiores minas de diamantes do mundo.
Apesar disso, as partes são unânimes em sublinhar a necessidade de um alargamento das relações bilaterais muito para além da política. Para efeito, têm sido assinados vários protocolos de cooperação nos domínios económicos com o objectivo de incrementar as trocas comerciais entre ambos e, deste modo, fortalecer a relação económica.
Em Angola, pouco mais de meia dúzia de grandes empresas actuam no mercado, pelo que a sua actividade empresarial é pouco expressiva e o valor das trocas comerciais, cifradas em 35 milhões de dólares (mais de 3 mil milhões de kwanzas), é ainda insignificante. Por isso, com o propósito de reverter o quadro, instituições de ambos países têm se desdobrado em esforços para melhorar a trocas de informações e experiências.
O fórum económico e empresarial realizado esta semana (quarta e quinta-feita), em Luanda, é uma das iniciativas concretas para melhorar a relação económica. No evento, a parte angolana apresentou as potencialidades económicas que representam boas oportunidades de negócios e a parte russa tomou nota, além de apresentar também algumas intenções de investimentos, como a montagem de uma linha de produção de camiões de marca Kamaz, muito ulizada pelo exercito angolano e pela Polícia Nacional. Bem como foi apresentado no fórum o projecto de construção de uma fábrica de vagões de transporte para apoiar o sector ferroviário do país.
Entretanto, as autoridades angolanas apelaram muito os empresários russos no sentido de diversificarem os seus investimentos para outras áreas da economia angolana que são consideradas prioritárias pelo Executivo, nomeadamente os sectores da agricultura, da energia e águas.
O sector energético do país apresenta enormes oportunidades para as empresas russas que possuem grande experiência neste ramo. Recorde-se que a construção da maior barragem do país, a barragem de Capanda, contou com os préstimos de empresa russas num momento em que o país estava mergulhado num conflito armado.
Agora que o país apresenta um quadro de estabilidade política e económica as empresas russas não podem deixar de participar nos esforços de reconstrução do país. No sector energético, por exemplo, o Executivo vai investir cerca de 23 mil milhões de dólares, nos próximos quatro anos, com vista a garantir um quadro energético que propicie condições para o crescimento e desenvolvimento da indústria transformadora, que por sua vez abrirá muitas oportunidades de negócios.
Uma delas é a abertura do sector eléctrico às empresas privadas através de concessões de produção e distribuição de energia eléctrica. Há vários projectos em carteira e em curso.