Se olharmos pela génese que esteve na base da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), logo depreenderá que o seu valor está na promoção da cooperação mútua e bilateral entre os Estados que a compõem. Tudo isso gravita em torno dos laços históricos e culturais existentes, assim como da dinamização de políticas de cooperação e do potencial de crescimento das suas economias, do qual os países devem aproveitar na medida em que o espaço assume-se, hoje, não só como uma importante comunidade económica, mas também como um veículo privilegiado de ligação entre regiões e países à escala planetária. Apesar da descontinuidade geográfica entre os nove Estados, eles estão juntos por uma ponte que os interliga: a língua.
Evocando Fernando Pessoa, a nossa pátria é, verdadeiramente, a língua portuguesa, esta sendo já considerada um património comum que nos une, que nos dá força colectiva, e que nos abre um amplo caminho de prosperidade partilhada, com um enorme potencial ainda por explorar. A comunidade é já extensa, com cerca de 300 milhões de falantes, de tal maneira que a sua economia já representa um peso assinalável a nível mundial.
A comunidade actualmente tem um vasto mercado de consumo e detém um PIB agregado de 2,5 mil milhões de dólares e mais de um milhão de empresas, algumas das quais, de referência nos seus respectivos sectores, no grosso modo, em todas áreas da economia com destaque para o petróleo e gás, diamantes, ouro, construção, telecomunicações e alimentação, etc. Nos últimos anos, o comércio e as exportações no seu seio quase que duplicaram e as trocas comerciais dos países da CPLP com o mundo, como a Ásia, sobretudo com a China e Índia, têm vindo a registar progressos visíveis.
Angola, por exemplo, tem a China como seu parceiro privilegiado. Mercê da cooperação estabelecida entre os Governos angolano e chinês é que se assiste a recuperação de importantes infra-estruturas económicas e sociais anteriormente degradadas pela situação do passado. Apesar do momento de abrandamento da economia nacional, o país contínua e não pára. Os esforços tendem a reverter-se para a melhoria dos indicadores macroeconómicos para equilibrar o “novo normal”. Quer concordemos, quer não, o futuro de Angola está na diversificação da economia, tal qual os outros países do enclave devem empreender, cujo esteio encontra-se no sector agrícola, essencialmente no agro-negócio, sendo este já apelidado de carro chefe. Os decisores e os homens de negócios, até mesmo as organizações multilaterais, devem continuar com a missão de incentivar e dinamizar o agro-negócio, assim como reforçar a competitividade das empresas através de acções de promoção e cooperação que favoreçam a internacionalização, o empreendedorismo, a divulgação de conhecimento e a identificação de oportunidades de negócio. Este papel tem sido já desenvolvido com sucesso pela Câmara Agrícola Lusófona (CAL), lançada em 1999, a partir da iniciativa e dinâmica de um grupo de empresários e dirigentes associativos com experiência no sector do agro-negócio. Esta organização lusófona promoveu recentemente em Lisboa a conferência internacional “Na rota das exportações”, com o objectivo de avaliar as oportunidades no sector agro-alimentar na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).