O sector empresarial público (SEP) é um nicho importante na estratégia de manutenção dos indicadores de crescimento da economia que o Executivo angolano traçou para o período 2012-2017, conforme desenhado no seu plano nacional de desenvolvimento (PND). Vai daí que para o biénio 2013- -2014 tenha sido inscrita a promoção de negócios entre as unidades tuteladas pelo Estado, assegurando, por via disso, a concretização de maior eficácia e eficiência nos resultados.

O primeiro fórum de negócios realizado pelo Instituto para o Sector Empresarial Público (ISEP), muito recentemente, alinha todas estas estratégias e responde, igualmente, à pretensão de as empresas tuteladas pelo Estado trocarem serviços e promoverem um maior fluxo de intercâmbio financeiro entre si.

Entre os grandes méritos do encontro, que o Centro de Convenções de Talatona acolheu, está o facto de o Executivo, parceiros privados e unidades tuteladas estarem reunidos e de forma aberta proceder-se à apresentação dos resultados, por parte de uns, e à apreciação das contas e do desempenho, por parte de outros. Não sendo propriamente um julgamento em hasta pública, a interacção entre quem investe (Estado), os que co-investem (parceiros) e os que administram (gestores) foi deveras um exercício salutar, tendo sido realçada nas mais variadas intervenções a necessidade de se manterem estes índices de realização e administração dos bens públicos.

O mote lançado pelo vice-Presidente, Manuel Domingos Vicente, que procedeu à abertura do evento, não veio a calhar. Trata-se de uma visão orientadora que visa dinamizar o mercado empresarial e a diversificação da economia nacional. Para tal, Manuel Vicente pediu empresas mais eficazes, produtivas, sobretudo rentáveis, pois a concretização destes objectivos permitiria, seguramente, a redução da participação financeira do Estado nas empresas públicas, deixando disponível uma certa tranche para alocação em sectores ainda mais vulneráveis, com realce para as benfeitorias sociais, principal vector do investimento público. Agora, a preocupação generalizada de as empresas serem mais transparentes nas suas demonstrações financeiras e trabalharem no sentido de reduzirem as reservas com que muitas das contas são aprovadas por auditores externos é um indicador que jamais deve ser ignorado.

Tratando-se de empresas com capitais maioritariamente público, as reclamações feitas por bancos, que têm nesse desiderato uma razão de causa para retraírem os financiamentos, e mesmo por investidores externos para nos abrirem portas a outros canais de crédito, ganharam forma. Foi oportuna a resposta do Executivo, que através do Ministério das Finanças definiu para até 2017 o nível de apresentação de contas atingir os 100 por cento e sem reservas, significando maior transparência e abertura das contas aos interessados. O capital financeiro que representam as unidades públicas é interessante e representa um campo cheio de oportunidades, onde novas iniciativas de negócios devem surgir para que a criação de emprego ocorra em alinhamento com a oferta de melhor remuneração e formação profissional.