O saudoso Presidente António Agostinho Neto dizia: “A agricultura é a base e a indústria o factor decisivo”. Tantos anos passaram-se depois de proferida essa máxima, mas a força motivadora continua vigente. Tanto é assim que o Governo da Província do Kwanza-Norte aposta nestes sectores produtivos (agricultura e indústria) para se catapultar a níveis mais altos no ranking da economia nacional.
No passado, a produção agrícola era baseada fundamentalmente na cultura de café, que garantia renda e prosperidade aos produtores familiares e empresariais com os níveis de produção a atingirem 46 mil toneladas. Porém, hoje, a produção dificilmente passa das poucas centenas de toneladas. Por esta razão, as autoridades locais têm debatido sobre que estratégias para o relançamento da produção local do café.
Existem correntes que defendem que, para o caso do café, é preciso haver um fundo de apoio à sua produção e comercialização, além de garantir-se crédito de campanha. Os responsáveis do sector agrícola na província entendem que, das actuais manifestações de intenções de compras vindas de empresas estrangeiras, são precisas as necessárias parcerias e, assim, passar-se das intenções à prática. A nível da agricultura, na província do Kwanza-Norte, as coisas tendem a evoluir para o melhor, com o aumento de famílias nos programas agrícolas do governo local e disponibilização de novas áreas de cultivo, muitas das quais antes não podiam ser desbravados devido às minas.
Um dos desafios do sector agrícola prende-se com a mecanização. A ideia é transformar a agricultura de subsistência numa agricultura empresarial bem desenvolvida. Para este desiderato, vários projectos têm sido implementados e acções de apoio e fomento permitiram, por exemplo, a distribuição de 300 milhões de kwanzas de crédito agrícola e mais de 70 tractores que foram entregues às cooperativas.
Quanto ao escoamento, que foi um dos grandes problemas dos produtores, a implementação do programa Papagro, que visa recolher e adquirir a produção dos agricultores em locais apropriados, tem estimulado a produtividade e o problema do escoamento fica minimizado. O Papagro tem pontos de recolha próximos das zonas de produção, onde os agricultores ou cooperativas levam as suas lavouras para serem comprados sem necessidade de fazerem deslocar os produtos para os centros de consumo, o que é feito agora pelos camiões do programa do Executivo angolano. A medida reduz bastante a estrutura de custos dos produtores, que antes gastavam muito dinheiro para fazer chegar a produção aos mercados, pois estimula a própria produção e motiva os camponeses, além de atrair mais força activa aos campos. Ainda no que toca ao processo de escoamento da produção agrícola, está prevista a construção de um centro de logística provincial no Dondo, que se vai juntar aos três mercados de referência existentes: o de Cassualala, Cambundu e o da Nova Cassualala, além de outro que só funciona à quinta-feira numa localidade entre Camabatela e Negage onde se fazem trocas comerciais entre as produções das províncias vizinhas.