O comércio online tornou-se um dos mais importantes pilares da era da Internet em todo o mundo, e Angola não é excepção. Seja em sítios específicos, nas redes sociais ou em aplicativos, aumentam as ofertas de produtos e serviços online, que está a ser favorecida pelo engarrafamento que se regista na capital, já que se perde muito tempo ao se movimentar de um ponto para outro só para adquirir um bem ou serviço.
Há alguns anos que existem vários sítios na Internet onde é possível efectuar compras online e receber os produtos directamente, no conforto do seu lar ou no local de trabalho. Pelo mundo fora, o comércio electrónico tem guiado o empreendedorismo, a criatividade e também os lucros de quem aposta neste tipo de negócio, a níveis que não era possível prever. Pelo que nos surpreendemos hoje ao saber que uma das maiores empresas do sector agrícola do país já permite que compremos hortofrutícolas sem sair de casa.
Ora, o comércio electrónico em África poderá render 75 mil milhões dólares em 2025. A estimativa feita pela empresa de consultoria McKinsey prevê que, em 2025, o comércio electrónico representará 10 por cento do total de vendas a retalho em África. Parece pouco, mas feitas as contas estamos perante um mercado que poderá gerar lucros anuais de 75 mil milhões de dólares. Isto talvez explique a aposta da multinacional eBay em expandir-se para África, através de uma parceria com a start-up africana de compras online MailforAfrica.com. A eBay, que opera em 36 países de quase todos os continentes – a única excepção é África –, é um dos gigantes do comércio electrónico.
E perante este cenário optimista do futuro do comércio electrónico no continente, Angola não poder ficar de fora. Por isso, os mais recentes esforços têm sido concentrados em criar uma nova geração de plataformas que apostam no aproveitamento do crescente número de utilizadores de Internet no país.
Contudo, para que as empresas angolanas liderem o comércio electrónico é necessário romper um conjunto de barreiras que hoje, por exemplo, impedem até um pequeno empreendedor de implementar uma plataforma de venda online. As maiores entraves são as burocracias e as leis que não se adaptam aos novos conceitos. As formas de pagamento de pagamento são igualmente das maiores dificuldades do ramo, com muitas empresas no mercado a sobreviverem com o uso de meios tradicionais, que já não se compatibilizam com a velocidade e a praticidade que se espera do comércio electrónico. Ainda mais quando se saber que o sector das tecnologias de informação e telecomunicações é uma prioridade na agenda do governo angolano no processo de reconstrução nacional, que começou em 2002, após décadas de guerra civil. E hoje os resultados são vísiveis: o Angosat 1, o primeiro satélite angolano, teve esta semana o lançamento oficial da Campanha de Comercialização e deve entrar em órbita no terceiro trimestre deste ano. Com esta aposta, o sinal das tecnologias de informação e comunicação vai melhorar em grande medida. O uso da Internet terá certamente melhorias significativas e consequentemente um crescimento dos actuais quatro milhões de angolanos conectados à rede global.