O parque automóvel angolano é diversificado, mas para nossa satisfação apresenta-se com níveis de preservação acima da média. Os carros com vida útil vencida são poucos e por força da fiscalização policial, os que reservam ainda algum “ferro velho” têm mesmo de mantê-los impecáveis para garantirem uma circulação saudável nas nossas estradas.
O “ferro velho” coabita com o novo. Há espaços para velhos e novos na circulação rodoviária nacional.
As histórias de vida mostram que as pessoas podem sempre com alguma criatividade e sacrifício criar alternativas às dificuldades de um emprego formal.
A camionagem, pelos indicadores que traz consigo, deve ser tomada como referência em questões de emprego nas estradas. Aliás, os que se dedicam a esta actividade, regra geral, são de certa idade e têm uma história de vida que carrega sempre emoção e lições bastante úteis.
Dados mais recentes dos concessionários de automóveis dão conta de que o mercado de viaturas registou uma quebra de 57 por cento entre Janeiro e Outubro do ano passado, ao vender apenas 8.146 viaturas, contra 20.500 do mesmo período de 2014.
Mas comprar carro novo está tão difícil que a baixa ressente-se em todos intervenientes do mercado, acção que poderá criar nos usuários um maior sentido de preservação.
Dentre os concessionários Rubert Hudson (Ford), Cosal (Hyundai), Imporáfrica (Kia), TDA (Renault), Opel (Mercedes) ou outra, a queda na procura é tão visível, que Luanda e Lobito, os principais pontos de entrada, só entregam carros novos mediante encomendas com pré-pagamento.
A alternativa passou a ser a de carros semi-novos, um nicho onde a Robert Hudson lançou-se com a missão de recompra de viaturas Ford com até ou menos de 200 mil quilómetros.
Todavia, ao nível oficial, o “ferro velho” é também a designação para o negócio de venda e revenda de sucata ferrosa e não ferrosa tais como ferro, alumínio, bronze e cobre, mercado que se mantém firme no sector informal da economia, passados alguns anos desde o seu surgimento.
Sustentado pelos amontoados de lixo, tornou-se fonte de sustento de “caçadores”. Embora já não produza o lucro de outrora, quando ainda era permitida a entrada de viaturas em segunda mão, os comerciantes estabelecidos nos bairros periféricos de Luanda acreditam em dias melhores. Viana, Cazenga, Rangel, Palanca e Capolo lideram as “pesagens” e as vendas.
Por exemplo, o quilo de cobre pode ser comprado pelos “pesadores” a 300 kwanzas e o de alumínio a 50. O ferro é o que menos rende, com o quilo a custar apenas 10 kwanzas. Quando atingem a quantidade pretendida, exporta-se ou revende-se os metais.
O sector da sucata tem-se assumido como fundamental, enquanto matéria-prima para algumas fábricas que operam no país. A demonstrá-lo está a própria capacidade interna de transformação instalada, que anda na ordem das 120 mil toneladas por ano.