“A economia moderna não tem mais fronteiras a partir de agora, ela só tem horizontes”, dizia o jornalista e escritor suíço Alian de Botton.
Socorremo-nos a esta máxima para dizer que o ano de 2019, que ainda é uma “criança” , começa com desafios decisivos.
Decisivos porque, primeiro, os programas e projectos do Plano de Desenvolvimento Nacional 2018/2022 têm que começar a dar os seus frutos, criando robustez no tecido produtivo e consequentemente promover o crescimento socioeconómico desejado.
Em segundo lugar, é o ano em que o país poderá entrar na Zona de Comércio Livre da Sadc que, segundo as autoridades, poderá ser de forma gradual, podendo levar alguns anos para que efectivamente ela possa ser consumada, além de que, também, se prevê o ingresso à Zona de Livre Comércio do Continente.
São, pois, desafios enormes, mas que darão ao país o fôlego necessário de que precisa, não só alinhado aos objectivos enquadrados na estratégia “Angola 2025”, mas também, começar a rentabilizar os avultados investimentos feitos pelo Estado angolano na construção, recuperação, ampliação e em alguns casos na modernização de várias infra-estruturas que podem ajudar outros países.
A partir de agora, teremos sim que começar a modernizar a nossa economia, para enfrentarmos de cabeça erguida a “petrodependência”, criando sinergias para que a classe empresarial privada comece, de facto, com o seu saber e força, contribuir e promover a competitividade.
É preciso que o Estado possa apoiar a classe empresarial nacional, com instrumentos capazes de garantir as valências necessárias para que quando ela entrar em sectores que até aqui estiveram sempre sob alçada do Governo, através das empresas públicas, possam agora estar na alçada dos investidores privados, em sectores como, por exemplo, o da Energia e Águas, Transportes (ferroviários, com grande ênfase), Pontes, etc.
Temos de começar a prever o futuro que, com a entrada ou abertura das nossas fronteiras à competitividade, não sejamos “engolidos” pela grandeza das empresas estrangeiras, mas sim, ocupar um lugar estratégico no concerto das nações, fazendo com que o “Feito em Angola” posse a ser apreciado em outras paragens do globo.
A planificação deverá nortear as acções dos investidores nacionais e estrangeiros que queiram apostar neste mercado cada vez mais apetecível, tendo sempre como divisa a flexibilidade, responsabilidade compartilhada, bem como a integração e competitividade, para que a economia nacional crie os empregos desejados, em linha com os propósitos do Executivo angolano para o quinquénio 2018/2022.
Este é um ano desafiante e de ouro, a julgar também pela retoma da exploração de ouro, no município de Chipindo, na Huíla, pela empresa Demang-SA, depois de se terem feito os trabalhos de prospecção numa área de 67 mil hectares. É um marco importante para a rentabilização dos inúmeros activos que temos, não só naturais, mas como também em termos de recursos humanos.