A música angolana nos seus mais diferentes estilos, cresceu significativamente nos últimos 10 anos, principalmente no período pós-guerra, fortalecendo a identidade cultural, acompanhada de mudanças do ponto de vista da estética, qualidade e conteúdo das letras, o que permitiu a sua rápida ascensão além fronteira, com a Kizamba e o Kuduro em grande destaque.
É importante salientar que uma indústria musical, propriamente dita, ainda não existe, pois se trata de um país jovem, com poucos anos de paz efectiva, se em comparação com outras realidades e modelos externos.
No meio de tantas adversidades em função da especificidade do mercado nacional, muito esforço tem sido feito por parte de incitativas privadas com o surgimento de estúdios de gravação um pouco por todo o país, particularmente em Luanda, onde os “musseques” lideram, muitos deles em péssimas condições, mas é ali onde saem os grandes sucessos, que dominam e “aquecem” as pistas de dança.
Entretanto, tudo isso só foi possível graças às condições actuais que não existiam outrora. Com o surgimento das novas tecnológicas aumentou os conhecimentos e aprimorou a técnica e com os lucros, os artistas criaram condições locais, outros ainda, passaram a ir gravar em países como Portugal, Estados Unidos da América, Holanda, África do Sul e França, mas são os produtores os elementos mais importantes desse processo, que com muita mestria dão vida à música angolana, tornando o ramo um espaço de investimento imediato para quem quer empreender na música.
Porém, essa evolução tem permitido a promoção de novos talentos no mercado discográfico, assim como de produtores musicais que são os grandes “arquitectos” na composição dos mais variados ritmos. Os estilos como o “Semba”, “Kizomba” e o próprio “Kuduro” já são consumidos com frequência no continente africado e no mundo em gral, devido a qualidade e maturidade musical que atingiu a própria sonoridade das canções nacionais.
Actualmente, é notável o esforço de uma geração empenhada em fazer da produção musical uma fonte importante de rendimentos, mas a ausência de pelo menos uma única fabrica de discos aliada a falta de financiamentos bancários, tem limitado a criatividade e o talento artístico dos jovens .
Por outro lado, mesmo com as condinções que o mercado angolano apresenta, é importante que os fazedores de música apostem em estudos de viabilidade credíveis e criam ideias estratégicas para vingar no mundo musical. Neste contexto, os produtores acreditam em tempos melhores, mas esperam do Executivo uma maior atenção ao sector da música, apostando em parcerias público-privada de modo a criar mais escolas de formação e tornar a indústria mais dinâmica e rentável, de formas a que possa contribuir desta forma com receitas para os cofres do Estado.
A falta de grandes editoras, fábricas de disco e empresários interessados em investir seriamente na música são entraves para que o mercado desenvolva e ganha uma indústria de qualidade, sendo que a exigência por parte dos consumidores é cada vez maior.
Aliás, o programa de Governo do MPLA prevê acções para o desenvolvimento da cultura, apostando no talento e na criatividade, bem como no seu estudo, classificação e restauro dos bens culturais. A aposta passa também pela valorização do associativismo cultural como via adequada para a promoção das artes e da cultura como comprova a história de Angola nos anos de glória da música angolana feita anos 60,70 e 80, caracterizada pela produção permanente.