Estamos nos primeiros dias do último mês do ano. O ano parece ter corrido célere para o seu termo. Sem dúvida, o tempo passa e a vida também. O importante é que enquanto vivemos urge, a cada um de nós, fazer a sua parte para que o país continue a crescer em termos económicos e todos se sintam realizados individual e colectivamente.

É consensual que a paz e a estabilidade continuem a reinar entre nós, porque não é demais reiterar que temos um bom país para se viver, a julgar não apenas pelo sentido benévolo do seu povo, mas também porque os recursos naturais existentes, uns ainda por serem explorados, nos permitem acreditar em momentos muito mais felizes.

Às vezes, olhamos para trás e sentimos o quanto perdemos e ficamos distanciados em termos de crescimento em relação a países relativamente menos potenciados que o nosso. Era importante o alcance da paz para que tudo passasse a funcionar sobre os carris e se definisse o rumo certo.

Há dias, ouvindo o PCA do Caminho-de-ferro de Benguela a propósito da circulação do comboio até Luau (Moxico) disse que sentia a satisfação das pessoas que vivem ao longo do ramal ferroviário e que apresentavam até um aspecto corporal saudável. Com a passagem do comboio podem desenvolver actividade comercial e receber o que lhes falta para suster as suas vidas.

Para o comboio circular, gastaram-se rios de dinheiro porquanto a guerra havia tornado inoperante o movimento ferroviário de médio e longo curso. Hoje, é esta a realidade. O fim da guerra trouxe mais alternativas na circulação de pessoas e mercadores. Não deixam saudades, com certeza, o período em que o país parecia dividido em ilhas, pois o forçado isolamento, impedia a um tratamento igual para todos e acentuava as assimetrias entre regiões.

E como existiam cidades, vilas e aldeias em condições de desespero, a aguardarem por colunas de víveres escoltadas por militares, ou mesmo por aviões cargueiros, a opção de muitos foi a procura de melhores condições de vida nas cidades onde se vivia em “paz”. Até hoje, os grandes centros urbanos ainda ressentem o facto de terem recebido tanta gente que procurava por segurança e melhor situação socioeconómica.

Luanda é um destes exemplos. Uma cidade que rebenta pelas costuras e que precisa de encontrar soluções para se descomprimir. Observa-se ainda um regresso tímido às zonas de origem. Há quem atribua à falta de incentivos locais, mas a tendência é de se acabar com este movimento aparentemente especulativo, a julgar pelas respostas dadas pela Feira dos municípios que Luanda acolheu recentemente.

O desenvolvimento vai aos poucos chegando aos municípios e vai criando oportunidades de trabalho. Os projectos agrícolas, nalguns casos, com tecnologias de ponta, têm contribuído para a inclusão social e incentivando o comércio rural.

É verdade que muito ainda há para se fazer mas a responsabilidade tem de ser colectiva, ou melhor, tem de continuar a ser sob o ponto de vista de estabilidade económica e, por influência desta, a prosperidade das famílias. Tudo indica que estamos no caminho certo, logo, devemos conservar o que reconquistamos com esforço e sacrifícios financeiros. Já que estamos a finalizar o ano, reflictamos todos o que ainda podemos fazer para a felicidade colectiva.