Já lá vão os tempos em que as empresas do sector empresarial público no país não apresentavam os seus fluxos de caixas para serem avaliadas como andam em termos de saúde financeira. Isto porque até há um certo tempo, a contabilidade nacional ainda apresentava uma certa debilidade em termos de harmonização dos seus planos de conta, onde a cada empresa fechava as suas contas de acordo com o seu programa contabilístico favorito.
Foi assim desde então, e continua a ser ainda assim na maior parte das economias da África subsahariana, onde as empresas do sector empresarial público têm desempenhado um papel fundamental no financiamento de todas as actividades de cariz social, por serem na sua maioria unidades orçamentadas, despindo-se do dever de realizarem as prestações de contas ou melhor elaborarem mensal, trimestral, semestral ou anualmente os seus fluxos de caixa.
Mas de um tempo a esta parte, esta prática deixou de ser motivo de preocupação para os Estados modernos, pois deram-se conta de que, uma economia saudável, só funciona se tiver uma contabilidade organizada, principalmente naqueles Estados que se preparam para entrar no roteiro do comércio internacional e nos grandes mercados financeiros mundiais.
Por isso, a notícia de que 29 das 50 empresas do sector empresarial público no país prestaram as suas contas junto do organismo de tutela, é um forte indicador de que, os gestores públicos estão cada vez mais conscientes e a ganhar uma cultura organizacional do ponto de vista contabilístico, e é um sinal de que nos próximos períodos este número pode elevar-se.
No entanto, a elaboração regular dos fluxos de caixas é uma mais-valia, não só para o mercado financeiro e monetário, mas sobretudo para a economia nacional que ainda de debate com alguns problemas de organização interna contabilísticos, quer de natureza de auditoria, quer de consultoria financeira.
Nesta perspectiva, a homologação regular das contas públicas, joga um papel fundamental na transparência e gestão da coisa pública, uma vez que as finanças públicas contribuem sobremaneira para atenuar os constantes défices dos saldos orçamentais, pois muitas receitas ficam fora do circuito tributário comprometendo, assim, as aspirações do Executivo na realização das despesas e em perspectivar a mobilização de receitas para financiar projectos de âmbito social.
Por isso, as palavras do ministro da Economia Abraão Gourgel, proferidas na ocasião da apresentação de contas de 2012, ao dizer que o momento se traduz no efeito pedagógico positivo de todo o processo designado de nova era de construção de maior eficiência na gestão das empresas do sector público, vem demonstrar mais uma vez que doravante teremos as nossas contas bem organizadas para o bem de todos nós.