Os países africanos têm vindo a apostar, significativamente, na criação de fundos soberanos (FS), uma estratégia que combina investimentos em infra-estruturas com desenvolvimento a longo prazo.
Tratando-se de um fundo público de investimento detido pelo Estado ou alguma subdivisão política deste, pois o Fundo Soberano (FS) resulta de um superávite da balança de pagamentos, de operações em divisas, de receitas de privatizações, de transferências governamentais, de superávites fiscais e ainda de receitas provenientes de exportação de recursos (naturais).
No continente berço existem 15 fundos, de 14 países, sendo que a Guiné Equatorial apresenta-se com dois. Dos fundos existentes oito são fundos de estabilização e os outros sete, incluindo o de Angola, são fundos de desenvolvimento.
Constituído em 2012, como resultado do excedente das exportações petrolíferas, o Fundo Soberano de Angola (FSDEA), avaliado em cinco mil milhões de dólares (481 mil milhões de kwanzas), orienta o seu foco no investimento em infra-estruturas e no sector hoteleiro, onde vê existir um mercado cheio de oportunidades e com forte margem de crescimento e captação de recursos.
Ainda assim, sectores como educação e energia perfilam na listagem de prioridades de um fundo cuja orientação basea-se na prestação de contas regulares e gestão transparente, permitindo por via disso que o mercado angolano esteja enquadrado num panorama internacional de forma atractiva e bastante competitiva.
Na realidade, os fundos soberanos (FS) procuram captar o máximo do excedente de receitas proporcionadas pela oferta de matérias-prima ou recursos naturais, para que, num longo prazo e em situações mais difíceis, não se confrentem os Governos com a problemática de ausência de capacidade para, por si mesmo, financiar a recuperação ou modernização das principais infra-estruturas, gerar emprego, sem com isso depender de intervenções externas ou da acção do sector privado na economia.A julgar pelos relatos, segundo os quais mais de outras duas dezenas de Estados pretendem criar fundos soberanos (FS), admite-se também a necessidade de elevar as competências técnicas dos gestores para permitir que de uma correcta gestão resultem ganhos incontáveis, sobretudo pela maior credibilização externa do respectivo mercado. Aliás, criar fundos é um acto de soberania dos Estados.
No caso africano, aos FS atribui-se o papel de promover o investimento intra-continental e aumentar a produtividade.
Desta iniciativa resulta a expansão de benefícios aos outros países, que acabam por acompanhar o crescimento dos mercados vizinhos e pela circulação de maior capital financeiro.
Uma segunda perspectiva é, igualmente, a de reforço do papel do sector privado, que conforme análises, usa os activos dos fundos para ajudar o aumento da capacidade de entidades singulares promoverem o surgimento de postos de trabalho.