O surgimento da banca é secular. Já nos registos antigos, tal qual conta a história bíblica, havia banqueiros e colectores de moeda. Cambiadores, que nas praças vendiam moeda à troca de algum bem maior para si, mas que para os camponeses e artesãos, sobretudo estes, eram de menor valia ante a necessidade que tinham por moeda, pois só com estas poderiam ir comprar outros bens consumíveis.
Com a formalização de casas para a efectivação das trocas ou mesmo apenas só para a guarda da moeda, as relações sociais das comunidades mudavam de características.
Ainda que improvisadas ou em estilos rudimentares estavam criadas as condições para a banca tradicional, que foi evoluindo até às modernas instalações dos nossos dias. Nelas, dá um gozo tal, pois quem entra em banco sente-se dos mais abençoados entre os homens.
Aliás, o trabalhador bancário sempre trajado a rigor (fato ou ao menos casaco com gravata) é visto como um membro da elite social. Ser bancário é para muitos uma posição de honra, um sentido de prestígio e distinção social.
O que parece estar a mudar são os paradigmas, pois que há, nesses dias, cada vez mais enchentes nos balcões ou agências bancárias, o que gera menos conforto no seu interior e afasta os mais exigentes. A entrada da rede electrónica, com os cartões de multicaixa ou multibanco como o chamam os portugueses e brasileiros, trouxe já um sinal de alteração aos modelos de relação banco-clientes.
Já não se precisa entrar ao interior de um balcão para se ter acesso a uns poucos valores, que no caso angolano são por cada operação de levantamento por dia são concedidos 50 mil kwanzas em duas tranches de 25 mil cada. Note que há mesmo quem até para contornar a cifra diária por movimento tenha obtido vários cartões de diferentes bancos e assim ter a possibilidade de numa só assentada poder tirar dos caixas uns bons volumes de dinheiro, mediante a sua capacidade. Já faz recordar o homem que, certa vez, meteu-se na pequena fila de usuários numa certa caixa e como se gabou fez uso de dez cartões retirando num instante 500 mil kwanzas. Haja dinheiro para tanto cartão.
Porém, esse fenómeno “multicaixa”, visto como privilégio ou até inimigo para quem tem uma disciplina de contenção mais rígida com as despesas a efectuar, também está já a ver passar a sua época de glória. Vêm aí os bancos móveis ou na sua concepção inglesa “mobile banking” um avanço da actual e crescente opção de “internet banking”, ou seja, o banco por internet, que é ainda o mais requisitado.
O certo é que o banco sai da estrutura física tradicional, parede com compartimentos luxuosas ou mais humildes, e vai à mão dos utilizadores. Daqui a anos, a qualidade do telemóvel vai ser tão determinante, mas do que já o é agora.
Os serviços de banca estão a migrar para as plataformas e quem quiser estar à altura do momento vai sim investir mais nesses meios, pois os telemóveis vieram revolucionar a vida e a forma de comprar ou vender serviços.
Mas há já bancos em Angola, tal como noutras partes, a investirem em centros ou balcões digitais sem recurso a atendimento físico como ocorre nos balcões tradicionais.