Eurobonds são obrigações, títulos de crédito, emitidos em moeda diferente da moeda do emissor, num país diferente do seu. Estes podem variar nas formas que as obrigações podem ter: podem pagar taxas fixas ou flutuantes e podem ser permutáveis. São normalmente títulos ao portador que paga juros ao ano, sem dedução do imposto e que podem ser transaccionados fora de bolsa e são destinados a instituições mais do que ao retalho (investidores privados).
Para as economias com problemas podem ser uma solução de financiamento junto dos mercados e que, no fundo, estas deixariam de assumir sozinhas o risco de incumprimento. Para as estáveis, como a alemã, a sueca ou a dinamarquesa, estas euro-obrigações são consideradas como não vantajosas.
Reza que com a criação da união monetária, este veículo foi usado como uma forma de financiamento comunitário, mas com pouco sucesso. No entanto, a crise europeia prolongada obrigou a pensar numa nova forma de eurobonds. A ideia foi de os ter como sendo títulos de dívida emitidos pelo Banco Central Europeu e aprovados por todos os estados-membros da área do euro, ao mesmo tempo.
O objectivo das emissões é o de obter um desconto sobre o custo do financiamento dos países, que nos últimos anos tem aumentado de forma incontrolável. O resultado (final) é a utilização de eurobonds para ser capaz de financiar de forma mais barata, para reduzir os prémios de risco, ter mais liquidez no sistema e para obter o fluxo de crédito com menos restrições.
Ou seja, os eurobonds visam amenizar a crise e, acima de tudo, reduzir o custo do financiamento público.
Entretanto, a primeira emissão angolana de eurobonds (títulos de dívida em moeda estrangeira), com maturidade de dez anos e juros a 9,5 por cento, permitiu-nos obter 1,5 mil milhões de dólares. E acabou por abrir portas para novas emissões. Foi uma operação pioneira, preparada durante seis meses, sujeita a uma prévia análise dos riscos, conforme defendeu Duarte Pitta Ferraz, professor de Finanças na Nova School of Business and Economics de Lisboa.
Como se defende, além do encaixe financeiro que tem, como objectivo primário, permite ainda uma maior sustentabilidade à economia e torna o país mais visível no mercado de capitais. No entanto - acautela-se - é preciso ponderar as desvantagens quando é notório o peso da dívida externa, sobretudo quando esta aumenta e a desvalorização da moeda acompanha.
Relativamente às vantagens, o professor Pitta Ferraz diz ter muitas. Para ele, “é um ponto interessante, porque todos sabemos que Angola é uma economia dependente do petróleo”. Cerca de 80 por cento do orçamento do Estado angolano é oriundo do petróleo e este anda com preços depressivos, o que tem diminuído as receitas. “Mas, quando olhamos do ponto de vista do investidor para a operação, tem um rendimento bastante bom”.
O banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs International liderou a emissão do primeiro eurobond de Angola que foi em 2015. A emissão recente de 3 mil milhões de dólares visa garantir a prossecução de objectivos económicos e é a maior dos últimos sete anos em África. Para alguns, um passo em frente para a estabilidade muito almejada.