A “luta” do Executivo angolano para a ratificação do Tratado Transfronteiriço da Conservação Okavango-Zambeze (KAZA-ATFC), um dossier com muitos contornos difíceis, por ter sido assinado, no passado com algumas reservas pela parte angolana, parece ganhar agora um novo impulso com a tomada de posse, ontem, 4 de Outubro, da Comissão Instaladora da Agência Nacional da Região do Okavango (Anagero), liderada por um experiente ambientalista, Vladimir Russo, que passa a coordenar o Anagero, cujo ponto de partida das acções é fazer um diagnóstico com base nas informações já existentes e que poderá levar alguns meses.
A referida comissão, empossada pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Frederico Cardoso tem a missão de criar ainda, as condições materiais e técnicas para a efectivação do projecto, e tem pela frente também a missão de incrementar o aproveitamento do potencial turístico e ambiental da região com cerca de 90 mil quilómetros quadrados, além da protecção e preservação das componentes ambientais da região do Okavango, na província do Cuando Cubango, Sudeste de Angola, que conhece desde ontem um maior dinamismo da sua história, podendo assim seguir o exemplo dos outros países.
Entre os objectivos da Comissão está a aprovação do Plano Director Intermunicipal para os municípios do Cuito-Cuanavale, Namcova, Mavinga, Dirico e Rivungo, bem como articular com os órgãos e serviços da Administração Central e Local do Estado, os programas e projectos a implementar na região do Okavango, que congrega igualmente países como a Zâmbia, Zimbabwe, Namibia e Botswana.
O projecto KAZA, como é também conhecido, tem como objectivo a implementação do turismo inter-fronteiriço entre os cinco Estados, a fim de contribuir para o desenvolvimento socioeconómico e cultural da região, em particular de Angola, mas encerra em si grandes desafios, situação que a própria ministra do Turismo, Ângela Bragança, admitiu, num encontro com os embaixadores de Angola que teve como objectivo promover o turismo nos países onde se encontram acreditados.
O levantamento feito permite observar que a região possui mais de metade do total de elefantes existentes em África, estimados em 415 mil efectivos. Só nos últimos 10 anos, o número destes paquidermes em África caiu em 111 mil unidades, sendo que a cifra actual é a mais baixa de há 25 anos. Daí que se espera que esta comissão tire os seus projectos do papel e ganhem de facto asas para a sua materialização, porque os demais países que compõem a região estão mais avançados em relação a Angola.
O tratado KAZA foi assinado a 18 de Agosto de 2011 durante a cimeira dos chefes de Estado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e o que se espera é que a conservação e gestão seja sustentável para que os recursos naturais sejam partilhados de forma equilibrada e o património cultural valorizado, bem como o desenvolvimento da indústria regional seja efectivo. O combate à caça ilegal, a devastação da fauna e a conservação da natureza devem estar garantidos, por se tratar de um dos maiores e mais ambiciosos projectos turísticos do mundo, com o apoio incondicional das Nações Unidas, mas que lhe falta um plano de orçamento próprio, para permitir aos turistas circular livremente nos cinco países ligados.