As estradas nacionais são importantes vias de comunicação que facilitam o transporte seguro de bens e serviços entre os diversos pontos do país, contribuindo de forma célere e consistente para o desenvolvimento económico de uma sociedade.

O processo de reconstrução nacional iniciado em 2002 tem contribuído sobremaneira para melhoria da circulação rodoviária no país, pois tem permitido a reposição de novo “tapete asfáltico” nas principais vias em função do desgaste que as estradas sofreram ao longo do tempo.

Se anteriormente era difícil viajar de carro para o interior do país devido às condições degradantes das estradas, o que tornava a viagem mais longa e cansativa, hoje está mais cómoda e divertida, pois os investimentos que foram feitos justificam a qualidade das estradas.

E certo que o desenvolvimento de uma sociedade não é mensurável apenas pelas suas infra-estruturas sociais, mas pela livre circulação de pessoas e bens entre as diversas províncias do país. E os camionistas têm sido, na verdade, os barómetros dessa medida, pois são eles que com as suas viaturas cruzam diariamente as estradas nacionais trazendo fartura de suprimentos para “alimentar as cidades”.

A história da camionagem em Angola remota há muitos anos. Lembra-nos no tempo dos famosos camiões da BCR, que formavam longas colunas de automóveis pesados arriscando as suas vidas para o transporte de pessoas e mercadorias de Luanda ao interior e vice-versa. Ou das colunas mistas dos namibianos e cubanos que escoltavam as viaturas civis que vinham do interior?

Esses camionistas converteram-se em verdadeiros heróis, pois cruzar as estradas nacionais em tempos de conflito era um acto de grande bravura, visto que centenas de viaturas foram queimadas ao longo das estradas. Com o advento da paz efectiva, a situação dos camionistas melhorou significativamente, pois muitos deles que aderiram a associação dos camionistas beneficiaram de financiamento por parte do Executivo para aquisição de novos meios. Mas alguns deles não conseguiram resistir às intempéries do mercado que estava em franco crescimento e tiveram que meter as “máquinas nos calços”.

Hoje, os poucos que restam têm enfrentado dificuldades de vária ordem. E por força disso, alguns converteram-se em grandes empresas de transporte de mercadorias, outros dedicam-se ao transporte de passageiros e há aqueles ainda que transformaram as suas viaturas em camiões cisternas. No entanto, a crise económica que as economias do mundo estão a atravessar veio ainda mais agravar a situação dos camionistas por falta de importação de mercadorias em função da escassez de divisas no mercado.