O sector das Pescas tem raízes na pré-história da humanidade e uma forte tradição na cultura e na sociedade
angolana. Com 1.650 quilómetros de costa e 518.433 quilómetros quadrados de zona económica exclusiva, este segmento tem um
enorme potencial que uma vez bem explorado poderá ajudar a alavancar o crescimento sócio-económico do país.
Em Angola, estima-se que um terço da proteina animal é proveniente do pescado e que cerca de 90 por cento deste, é
vendido localmente, com realce às espécies como a sardinha, carapau, cachucho e corvina. Dados disponíveis indicam que a
produção pesqueira até aos mês de Outubro de 2013, atingiram a cifra de 183.550 toneladas, representando maior percentagem
Luanda, seguindo-se Benguela e Namibe.
A captura artesanal representa entre 35 a 40 por cento do total capturado nas águas, numa altura em que são
controladas 6.000 embarcações que empregam 50.000 trabalhadores. Apesar das potencialidades, persistem ainda
alguns constrangimentos que uma vez debelados, este sector deverá contribuir na diversificação da economia.
Com o intuito de se melhorar a produção, o Ministério das Pescas reuniu, nos dias 25 e 26 de Novembro, na cidade
ferroportuária do Namibe, também conhecida como a “Terra da felicidade”, os operadores, autoridades governamentais e
agentes económicos do sector, para em conjunto redefinirem as estratégias. Denominado: Conselho de gestão integrada dos
recursos biológicos aquáticos e consultivo, o encontro decorreu sob o lema central ”Aumentar a produção pesqueira e contribuir
para a segurança alimentar das populações”.
Os participantes debateram vários temas ligados ao ramo.
Os desafios identificados foram vários, mas as políticas traçadas dão garantias de que futuramente, o país deixará
de depender excessivamente das importações, passando também a exportar o excedente da produção. Sendo uma
actividade fundamental para a segurança alimentar das populações, as políticas para o crescimento da produção,
passam também pelo reforço de uma frota nacional de pescas, cuja operacionalização deverá ser gerida com base
nas capacidades locais existentes. O programa do Executivo angolano para o sector das Pescas, prevê igualmente
potenciá-lo, com instrumentos de apoio que contribuirão na criação de riqueza e redução da fome e probreza. Os objectivos
estão a ter já os resultados desejados, principalmente na classe empresarial privada ligada ao sector, com a subvenção
do combustível para a pesca industrial, cuja medida ajudará a diminuir os custos de operacionalização. Com a realização
deste evento, os objectivos traçados serão concretizados, principalmente com as campanhas de investigação ao
longo da costa marítima, que abrangem não só as espécies comerciais, mas também os estudos de impacto ambiental,
que melhor aconselharão a gestão pesqueira na optimização das decisões a tomar, tendo sempre em vista a utilização
sustentável dos recursos biológicos aquáticos.