Quando o economista alemão Johann Von Thunen publicou em 1926 o seu livro o "O Estado Isolado", obra que fazia referência que as autoridade locais deveriam traçar políticas com vista ao desenvolvimento económico e social de uma região, sem, no entanto, contar com o apoio dos organismos centrais, o autor não pensava que o seu trabalho tivesse uma aplicação prática nas teorias modernas de crescimento regional, pois muitos teóricos daquela época refutaram o seu pensamento.

A teoria foi refutada porque na altura o processo de desenvolvimento técnico e científico se encontrava numa fase estacionária em função do prelúdio da grande depressão dos anos 30 que abalou as economias do mundo. Os críticos com as suas teorias deterministas defendiam que o desenvolvimento de uma região ou povo dependia fortemente dos recursos existentes no seu solo. É verdade que os recursos naturais que um país possui não se distribuem uniformemente em todas as suas regiões, razão pela qual há regiões mais ricas do que as outras, existindo assim as chamadas assimetrias regionais. E são essas desigualdades que, nos dias que correm, os governos modernos vêm lutando para reduzir. Em todos os países do mundo, existem assimetrias, mas o desenvolvimento da ciência económica já tem permitido aos governos a redução dessas desigualdades. No entanto, o trabalho que está a ser desenvolvido no Namibe, pelos organismos local e central, vem demonstrar que é possível desenvolver uma região que, do ponto de vista económico, não possui muitos recursos estratégicos para, por si só, ter um desenvolvimento económico e social à dimensão da sua população. Os programas de modernização dos portos, aeroportos, dos caminhos-de-ferro, de construção de habitação e de fontes geradoras de energia eléctrica, que o Executivo tem levado a cabo por todo o país e o Namibe não é uma excepção, têm sido a mola impulsonadora para a concretização dos objectivos. Há três décadas, o Namibe era visto como uma das regiões mais importantes do país devido à sua riqueza marinha, sobretudo, pela sua famosa indústria de transformação de peixe, mas a realidade do país travou o ritmo de crescimento que a província estava a ter. Hoje, porém, com os grandes programas de incentivo à indústria transformadora que o Governo está a realizar, o Namibe está aos poucos a recuperar a sua mística com fortes programas de investimentos públicos. E para quem viaja hoje para o Namibe, já é possível registar alguma melhoria nas suas infra-estruturas básicas, desde o saneamento, iluminação pública, escolas, hospitais a áreas de lazer. Por isso, os 788 projectos que estão em curso na província são indicadores de que a cidade caminha a passos largos rumo a um desenvolvimento económico e social generalizado.

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