O ensino superior constitui nos dias que correm, a via mais adequada para se atingir o crescimento e o desenvolvimento económico de qualquer sociedade. Quer na Europa, América e noutras partes do globo, as sociedades se desenvolveram graças às investigações profundas que se fizeram no campo das ciências da educação.
Para os países atingirem tal desiderato, foi necessário que as políticas educativas fossem bem direccionadas de modo que os quadros produzidos fossem capazes de prestar um serviço digno ao país.
Em Angola, o ensino superior deu um salto qualitativo depois de 1992, altura em que se fez a transição do regime socialista para a economia de mercado. Antes desse período, havia somente em Angola uma universidade (Agostinho Neto), com cinco faculdades. Mas hoje, com a abertura da economia, o sector empresarial privado entrou no circuito comercial dando surgimento de mais instituições do ensino superior.
Apesar do número elevado de instituições do ensino superior privado e do número de estudantes formados neste nível, a qualidade de ensino ainda deixa muito a desejar, devido à falta de alguma rigorosidade por parte das instituições e do corpo docente não qualificado.
Alguns países africanos como Congo Democrático, Moçambique, Quénia, Zâmbia, África do Sul e Namíbia (apenas para citar), o sector empresarial privado fez investimentos avultados no ensino superior no período pós-independência e os reultados estão aí à mão de semear.
Julgamos nós que o ensino superior privado não deve ser só visto na perspectiva de negócios, mas num ângulo de desenvolvimento económico, pois a competência ou fragilidade dos estudantes depende dos investimentos que forem feitos.
Mas o que tem se notado hoje é que muitas instituições do ensino superior privado em Angola pouco ou nada investem na formação do homem. Alguns institutos superiores não possuem nem ginásio, nem laboratórios, nem biblioteca apetrechada e com condições adequadas, nem infra-estruturas condignas para o exercício da actividade.
No entanto, as universidades na sua concepção devem ser construídas em locais próprios, ou seja, o mais distante possível das comunidades para que o movimento das pessoas e viaturas não causem distúrbios aos estudantes.
Mas o que tem se verificado hoje é que muitas das universidades são construídas dentro das comunidades e, às vezes, em locais de difícil acesso aos estudantes, sem as mínimas condições de estudo.
Estudos feitos dão conta que mais de 60 por cento dos estudantes universitários que terminam a sua formação têm imensas dificuldades em arranjar um emprego, pois o conhecimento que se adquire nas academias não tem sido suficiente para se inserir no mercado de trabalho.
Pelo andar da corruagem, já é tempo para que o Ministério do Ensino Superior ponha fim às irregularidades que as instituições têm vindo a cometer, sobretudo na fixação de proprinas, na má prestação de serviço e na qualidade de ensino.