Que definição se daria relativamente à qualidade de vida. Muito se apregoa e as agendas dos Estados, grosso modo, são gizadas na perspectiva da prossecução do interesse da colectividade. E o conjunto de condições que contribuem para o bem físico e espiritual de uma sociedade consumidora acaba por estar na base da existência dos projectos de desenvolvimentos e razão dos acordos de cooperação entre nações.
E falar de crescimento é ir ao encontro da estabilidade socioeconómica. Para tal, muitos factores concorrem para tal desiderato. O fornecimento de energia eléctrica e de água potável é fundamental. É como dizer, sem luz e água não há economia que sobreviva. Logo, todo o interesse de se trabalhar para que não falte no dia-a-dia das cidades, das pessoas, quer no casco urbano, quer no campo, se afigura um exercício sempre valioso.
Sendo assim, investir seriamente nestes dois sectores vitais configura-se meio caminho andado para o bem-estar e valorização social. Para que se possa atingir os níveis de crescimento socioeconómico, a aposta deve continuar para que o acesso à água e electricidade seja cada vez mais evidentes e deixe de constituir factor impeditivo ao crescimento, por exemplo industrial.
Num período em que cada vez mais o apelo à diminuição da importação de bens que possam ser produzidos localmente é um facto, nesta cadeia, neste processo a luz e água surgem como base determinante para o sucesso.
Entretanto, uma boa notícia tem a ver com o estudo feito pela comissão Técnica Permanente conjunta entre Angola e a Namíbia que, reunida nas instalações da central Hidro-ecléctrica de Laúca, em Malanje, decidiu, no âmbito da cooperação neste domínio entre ambos os países pela construção da barragem hidro-eléctrica binacional de Baynes, visando à optimização dos recursos hídricos que ambos partilham.
A construção desta barragem, conforme o acordo das partes, prevê o início das obras de construção do empreendimento eléctrico sobre o rio Cunene, na fronteira entre Angola e a Namíbia, para 2021 e está estimado em 1,2 mil milhões de dólares.
Segundo o ministro angolano do sector, cada Estado deverá empregar 50 por cento do valor e que o projecto abre vagas para o financiamento público-privado, de maneira a aliviar a sobrecarga sobre os orçamentos públicos de ambos os países. A previsão de execução é de sete anos. E vai ainda contar com a construção de estradas e de outras linhas de interligação entre Angola e a Namíbia, na perspectiva de assegurar as trocas comerciais entre os dois países.
Lá está, a componente comercial não foi descurada. Qual “efeito dominó”, sem dúvida, no aproveitar está o ganho. Toda a acção virada ao desenvolvimento, que ajude a criar emprego e dar projecção a outros sectores representa uma mais valia e todos acabam sempre por tirar bons dividendos. Aliás, como mesmo assumiu o ministro namibiano das Minas e Energia, Tom Alweendo, o projecto, uma vez concretizado, além de ajudar a potenciar a indústria de ambos os países, o impacto vai se estender a outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Acredita que se aproxima mais uma das muitas oportunidades sob o ponto de vista económico, pois, independentemente dos projectos, dos programas infra-estruturais, o importante é que estes tragam directa ou indirectamente qualidade de vida às comunidades. Então resta aguardar pelas várias razões que, supostamente, possam resultar pela construção de mais este empreendimento, que uma vez mais, envolve o nosso Ministério da Energia e Águas.