Para cada crise há que se identificar uma nova oportunidade. E o actual cenário económico angolano desafia a arte, o engenho e a imaginação dos criadores e inventores, sobretudo em busca de soluções que possam responder aos desafios do mercado.
Nas economias de mercados actuam em regra duas forças: a da oferta e a da procura.
Desde logo, todas actuam sob o princípio de que a oferta é quem regula os preços, além de que da qualidade ou não de um determinado bem produzido interna ou externamente depende a reacção, positiva ou negativa, dos compradores. A procura, como não deixa de ser menos verdade, resulta da combinação de vários interesses, inclusive do conhecimento que se tem de uma determinada marca.
É desse “nicho de oportunidades”, entre o conhecer uma marca e o aceder a ela, que os empreendedores descobriram uma excelente forma de trazer em oferta de menor custo o que o mercado procura para satisfazer desejos, fechar negócios e adquirir lucros; as franquias.
As franquias, franchising ou franchise, na versão “googliana”, são uma estratégia utilizada em administração que tem, como propósito, um sistema de venda de licença na qual o franqueador (o detentor da marca) cede, ao franqueado (o autorizado a explorar a marca), o direito de uso da sua marca, patente, infra-estrutura, know-how e direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços.
Nelas, o franqueado, por sua vez, investe e trabalha na franquia e paga parte da facturação ao franqueador sob a forma de royalties. Eventualmente, o franqueador também cede ao franqueado o direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistemas desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração directa ou indirecta.
Será desde logo o excelente desempenho da economia angolana, há alguns anos, dos principais motes à chegada de cada vez mais marcas internacionais, uma vez identificada as inúmeras oportunidades que concentrava.
Marcas brasileiras, estas cunhando outras americanas, e portuguesas, sobretudo, abriram um novo domínio de negócio. O que só era ouvido e visto pelos ecrãs, nalgumas vezes, se aproximou dos consumidores e, hoje, há casos de sucesso e de insucessos, dos quais muitos empreendedores se estabeleceram num mercado aberto e concorrido o bastante.
No entanto, é de todo importante lembrar que neste negócio das marcas é obrigatória a apresentação de uma circular de franquia pelo franqueador, indicando as condições gerais do negócio jurídico. Embora possibilite retorno mais rápido, a compra de uma franquia geralmente exige um investimento inicial alto, pois é preciso prever custos com o local de instalação, equipamentos e pessoal.
Em vista, a garantia aos investidores de protecção jurídica ao mesmo tempo em que se procura frear a busca desmedida por lucros, além de manterem-se os indicadores de um mercado atractivo e capaz de manter os padrões internacionais das marcas.
Ao que se sabe, as técnicas, ferramentas e instrumentos utilizados nas melhores redes de franquias vêm sendo utilizados para optimizar o desempenho de outros tipos de canais de vendas, como redes de revenda, de representantes comerciais, de assistências técnicas, de distribuidores e outros.