Foi nesta semana que a concessionária nacional de hidrocarbonetos anunciou o concurso público para recrutamento e selecção de pessoal, em vários segmentos da actividade da empresa. Há, pois, ofertas enormes de emprego em determinadas áreas, com destaque para laboratório, administração e apoio, up e midstream (exploração, perfuração e produção), recursos humanos até segurança, na qual é exigida formação superior e idade máxima de 35 anos.

Ao lançar esta iniciativa, a estratégia da Sonangol alinha com a do Executivo definida no programa de governação 2012-2017.
O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, numa das suas intervenções públicas considerou importante “trabalhar-se juntos para o desenvolvimento. Todos somos necessários para erguer a nova Angola, moderna, próspera e democrática”.

Esta mensagem constituiu o slogan principal da campanha eleitoral desencadeada pelo partido no poder nas eleições de 2012.

Traduziu-se, porém, numa mensagem em que se perspectivava uma atitude de governação mais eficaz e transparente, visto que o elemento determinante para o alcance dos grandes objectivos nacionais traçados são a criação de condições necessárias para proporcionar oportunidades de emprego e a melhoria da qualidade de vida das populações. A participação tem de ser conjugada, quando se trata de empresas estraté-gicas do aparelh0 do Estado angolano a fazê-lo.

O concurso público lançado pela Sonangol vem demonstrar isso. Ainda assim, ele deve ir de encontro às preocupações levantadas pelo Presidente da República: Elevar-se a inserção da juventude na vida activa.

Na óptica das pessoas, o processo não deve ser viciado à partida, velando sempre pelas qualificações técnicas e académicas dos candidatos a seleccionar, pois, de certa forma, as interferências que possam descredibilizar o próprio processo devem ficar para trás. Falamos do favorecimento que ainda persistem em muitas empresas públicas.

Com certeza que a Sonangol tem consciência disso. Não se pode cair na ideia de que o concurso é um “faz de contas”, porque deixa as pessoas ainda mais incrédulas em relação a essas oportunidades dadas a 734 quadros angolanos. Precisa-se de rigor e transparência na hora de seleccionar os quadros nacionais, a fim de conservar ou manter cada vez mais a credibilidade do Estado.

Porém, apela-se à Sonangol para esclarecer ou anunciar publicamente os métodos que usará para o “pente fino” dos candidatos, divulgando, igualmente, a composição do corpo de jurado. É uma forma de credibilizar o próprio processo, por ser a primeira vez que a concessionária “abre-se”, pois deve-se aplaudir esta medida que é, a todos os títulos, inovadora no quadro da estratégia das empresas do sector empresarial público (SEP).

Acreditamos que há uma sincronização entre ambas. Independentemente disso, também a abertura deve ser extensiva àqueles quadros angolanos que possuem formação técnico-médio profissional, para permitir que o processo seja o mais abrangente possível, na medida em que existem vários quadros de escalões inferiores - sem licenciatura, a precisarem de oportunidades. A expectativa é de que isso venha a acontecer brevemente.

É crucial neste processo de desenvolvimento económico de Angola a promoção de uma política activa de emprego e de valorização dos recursos humanos nacionais. Toda a estratégia passa pela promoção do preenchimento de vagas por angolanos em posições estratégicas mais privilegiadas, e não só.

A ser assim, acreditamos piamente que a meta “Angola a crescer mais e a distribuir melhor” será rapidamente alcançada. É este o desejo de todos. O desemprego permanece muito alto em todo o mundo, especialmente nos países desenvolvidos onde a média atinge os 8 por cento. Organizações internacionais têm feito apelos no sentido de os países a terem como uma das principais prioridades nos seus programas, em 2014, a criação de mais empregos sustentáveis. Em Angola, a taxa de desemprego ronda entre 20 e 40 por cento. Há esforços colossais de reverter-se a situação, já que a política macroeconómica passa pela estabilidade, crescimento e emprego.