Aliás, a estrutura etária de uma dada população é considerada vital para a planificação das suas valências económicas, pois só através de força activa, tecnicamente preparada e profissionalmente empregada se é capaz de transformar o potencial em riqueza efectiva.
Desde logo, Angola tem sido dos poucos países africanos, sendo mesmo o segundo nos de expressão portuguesa, que adopta o dividendo económico no seu quadro estratégico de governação. O tema da União Africana é o do “aproveitamento do dividendo demográfico através de investimentos na juventude”.
A agência da ONU estima que se vai registar um aumento de cerca de 46 por cento de mão-de-obra em África entre 2015 e 2060. Este aumento será constituído por jovens da faixa etária entre os 15 e 34 anos, atingindo uma média de 12,1 milhões por ano. Com uma rápida transformação das faixas etárias e um declínio nos rácios de dependência, o estudo do Fundo das Nações Unidas para a População diz existir um potencial para o crescimento económico impulsionado pelo aumento das receitas provenientes do trabalho e do incremento das poupanças. Os dados avançam que dada a actual estrutura demográfica de África, com uma taxa de população jovem, existe potencialidade significativa para a transformação económica, além do simples incremento do número e porção da população em idade activa, o desenvolvimento e a implementação de políticas favoráveis na educação e a saúde, incluindo o planeamento familiar.
Angola, neste sentido, lançou o roteiro nacional para que cada um destes pilares identificados pelo tema possa ter o desenvolvimento das acções-chave, sendo que o emprego, o empreendedorismo e a necessidade de promover a inovação e a criatividade dos jovens, para que cada vez mais busquem o auto-emprego, surjam no topo da hierarquia de implementação dessa estratégia africana. Educação e desenvolvimento de habilidades, assegurar que jovens do sexo masculino e feminino possam não só ingressar para o ensino, mas concluírem, principalmente para as meninas jovens.
Esta visão deve-se ao facto de muitas vezes as meninas jovens não terminarem a sua formação devido a gravidez indesejada. Portanto, temos que assegurar que a formação seja completa e que além disso os jovens possam desenvolver habilidades que vão servir para a sua fase adulta. A saúde e o bem estar são outros vectores dessa estratégia de desenvolvimento, pois para se ter uma população economicamente produtiva temos que assegurar que a população tenha garantido os cuidados de saúde.
Já outro pilar é o da participação dos jovens na governação, isto é, precisamos de ver nos jovens cada vez mais potencial que requer investimentos e auto-estima. Só depois disso eles poderão traduzir esse desenvolvimento e nisto a paz e a segurança que todos os estados africanos almejam.